Flavio Campos

Marido apaixonado, tio babão, padrinho de duas princesas, filho, irmão, sobrinho, neto e amigo. Analista de sistemas, gerente de projetos e amante de tecnologia. Corredor de pé-chato e jogador de CS. Fraveu para os íntimos.

Posts

February 02, 03:48 PM

Acabei de falar com meu contador por telefone. Discuti dois assuntos com ele e liguei novamente pra tirar outras dúvidas:

- Gostaria de falar com Miguelito.
- Miguelito?

- Sim. Acabei de falar com ele. Alias... não. Na verdade é Manuelito.
- Manuelito senhor?

- Querida, na verdade eu não lembro o nome dele... - e tentando desesperadamente lembrar o nome do maldito.

(silêncio constrangedor)

Aí ela manda:
- Não seria Manoelino?
- ESSE MESMO!

--

Update:

No dia seguinte fui ao escritõrio do contador e mandei pra recepcionista cheio de razão:

- Queria falar com Miguelino...

:/

--

Update 2:

Fui olhar o email do cara pra achar o nome correto. É MARCELINO! Nem pra escrever o post aqui eu lembrei...

January 23, 09:20 AM

Empregada é sempre complicado. Dificil encontrar uma que agrade. Umas
quebram sua louça, outras não limpam como deveriam, outras estragam
suas roupas e por aí vai.

Eu tinha uma empregada que se chamava Marizete. Ela também tinha as
suas peculiaridades. Ela não gostava, por exemplo, de falar comigo.
Prefere sempre a "Dona Léa" e faz questão de me ignorar. As vezes ela
ignora a Dona Léa também mas isso é outro assunto.

Bom. Desde que ela chegou lá em casa que eu vinha observando uns
comportamentos estranhos dela.

Uma das coisas que mais me chamava a atenção é na arrumação das coisas da casa.

Quando eu e Léa compramos algo pra casa nós sempre experimentamos onde
seria o melhor lugar para colocar determinado vaso e tal. É tudo bem
pensado... Sei o lugarzinho de cada coisa.

Quando chegamos a noite depois da 1ª faxina de Marizete saí
rearrumando tudo. O porta retrato em tal lugar, os dois objetos de
metal juntos, a saboneteira do lado esquerdo e por aí vai. Mas o
que acontece é que eu tinha que fazer isso TODA vez que a Marizete ia
lá em casa.

Só depois de muito tempo que eu entendi o que ela fazia. Era Feng
Shui!!! Ela fazia Feng Shui em minha casa e eu ainda achava ruim.

Eu pesquisei na internet e ví que ela virava o porta retrato para a
janela pra trazer bons fluidos, um vaso pra frente e outro pra trás
pra trazer equilíbrio ao lar e as bombonieres perfeitamente alinhadas
em direção a porta para diminuir o peso dos moradores. Só pode.

Ou era isso ou então ela era meio doidinha mesmo. Vai saber.

December 19, 10:05 PM

Carnaval desses resolvemos ir a Sítio do Conde para visitar as redondezas e conhecer as praias do norte da Bahia.

Queríamos conhecer os rios, cachoeiras, praias mas tambem, é claro, a culinária local da terra de Dadá.

Chegamos lá quase na hora do almoço e fomos procurar uma barraca pra comer alguma especialidade da região.

Nada de muito diferente a princípio: moquecas, peixes, frutos do mar... mas algo me chamou a atenção no cardápio do restaurante: uma tal de Cordona Frita. CORDONA! Isso mesmo... Uma corda grande... e FRITA!



Perguntei ao garçon:

- O que acompanha essa Cordona Frita.

E ele:

- Farofa e salada.

Curioso com o inusitado prato, continuei:

- E como é o preparo? A Cordona já vem desfiada?

- Não. Ela vem inteira. O senhor que desfia.

- Mas ela não tem muito fiapo não? Aqueles que ficam no dente?

- Não senhor. Vem fritinha...

- Deve ser tipo comer manga de fiapo né não? Só que frita... Mas e esse preço aqui é do quê? É do metro é? Vende o metro ou como é?

- Não senhor. Vende a unidade mesmo.

- Certo... Sei.

Como quem está na chuva é porque está com fome e quer comer virei pro garçom e pedi 2 cordonas e seja o que Deus quiser...

Depois de um tempo chegaram as Cordonas Fritas... Tenho os fiapos nos dentes até hoje. Garçom mentiroso...



O custo benefício não foi dos melhores. Pedi a "continha" e ele me trouxe o total... literalmente.



Pensei em pedir uma Nota Fiscal para ver o que iria acontecer. Deixei pra lá. Paguei e fui embora... cheio de fiapo de fiapo no dente.
April 18, 11:48 PM

É meus amigos... Existiu um dia em que eu fui corno de mim mesmo.

April 10, 07:21 PM

E então aparece a Karen...

Estávamos eu e Léa lá no fundo do barco tentando segurar o almoço dentro do estômago quando de repente me aparecem duas meninas caindo por cima de todo mundo. Tudo bem que o catamarã estava balançando muito mas elas estavam caindo mais que o normal. Logo vi que o problema era cachaça. E pior de tudo é que eu não sei como essas meninas conseguiram ficar tanto tempo na parte da frente do barco! A parte da frente tinha uma gradezinha de meio metro de altura e elas lá na frente ao melhor estilo "I'm the king of the world".

Elas continuaram caminhando pelo barco em nossa direção. No caminho, para se equilibrar, ao invés de segurar nos bancos elas se apoiaram na careca de um tiozinho, no rabo de cavalo de uma outra mulher e no que acharam pela frente. O catamarã todo nesse instante já estava parado olhando as duas. Até a galera que estava dormindo por causa do Dramim acordou pra ver a confusão.

Chegaram então bem do nosso lado e sentaram em dois bancos que estavam livres. Eu pensei: "Ótimo! Vou assistir de camarote!". E assim aconteceu. Como a cachaça estava em níveis altíssimos logo primeira sentada uma delas sentou meio de banda e foi parar no chão. TEBUFF!

E como numa Via Crusis da cachaça, Karen cai pela primeira vez...

Foi aí que percebi que apesar das duas estarem bêbadas uma delas estava mais bêbada que urubu em fio de luz!!! A amiga "mais sóbria" levantou a outra do chão e jogou de volta por cima dos bancos. O pessoal que estava sentado nos bancos vizinhos percebeu o estado piriclitoso da menina e fez a melhor coisa... saiu de lá! A menina mais bêbada, a Karen, ficou sentada com a ajuda da amiga enquanto riam muito de tudo aquilo. Lembro que elas não paravam de rir hora nenhuma: nem na queda, nem no tombo, nem no banco, só riam... E viva a cachaça!

Sentada a Karen levantou o pé e meteu por cima do banco da frente (que tinha gente sentada, naturalmente). Sabe aquele esquema de cinema quando não tem ninguem na frente e você mete o pé na cadeira da frente? Pois bem, igualzinho, mas tinha gente no banco da frente. Esse pessoal também teve a idéia genial de sair de lá e assim o fez. A Karen já tinha expulsado umas 5 pessoas até esse momento.

Teve um momento que eu acho que ela cansou de deixar o pé pra cima do banco e num lance de contorcionista do Cirque du Soleil foi descendo o pé aos poucos pelo banco da frente e ficou numa posição quase de Yoga. Dificil de descrever. O que eu posso dizer é o seguinte. Como o espaço entre as cadeiras era muito curto o joelho dela ficava dobrado em 90º e batendo no rosto. Se é difícil de descrever imagino que seja difícil de entender, mas difícil mesmo era fazer aquela posição de Yoga da cachaça. E o pior de tudo é que pelo que eu entendi aquilo não doia não porque toda vez que o joelho batia no nariz ela se acabava de rir. E a medicina ainda perde tempo desenvolvendo morfina e afins... Tem é que dar cachaça como analgésico!

Enfim. Depois dessa demorou até mais do que eu esperava pra Karen resolver deitar nos três bancos em que ela se apossou. Se para mim, sentado e sóbrio, estava tudo rodando por causa da tempestade e do mar agitado imagine para essa menina como as coisas não estavam.

Daqui a pouco aparece a amiga. Ela ficava indo lá na frente e voltando. Quando ela chegou e viu a Karen deitada começou a mandar a Karen sentar. E nada de Karen atender. Ela estava em outra dimensão. Daí a amiga comecou a aumentar o tom de voz, aumentar, aumentar e começou a gritar. E gritava com a pobre da Karen. Chegava no ouvido da Karen deitada no banco e falava: "KAREN! LEVANTE AGORA! EU VOU EMBORA! VOU TE LARGAR AÍ!". Eu sei de muita coisa que cachaça provoca: perda de memória, dor na bunda (me disseram), mas surdez foi a primeira vez.

Depois de todos aqueles gritos dentro do ouvido eu fiquei imaginando a Karen no outro dia com aquela ressaca miserável e... surda! Porque uma coisa é certa: a cachaça vai passar mas a surdez não.

Depois disso a amiga ficou pirada e saiu procurando água pelo catamarã. Perguntava à tripulação, a um e outro. E eu pensava: "Apesar de tudo essa amiga é legal. Quer dar uma água pra pobre da Karen pra melhorar a ressaca do outro dia". Daqui a pouco eu ouço ela falando com uma funcionária do catamarã: "Serve água do mar mesmo! Água salgada!". Aí eu pensei: "Ahhhh! Então o problema da coitada deve ser pressão baixa! Apesar da fala embolada, do sorriso torto e do bafo de cachaça o problema é só pressão baixa".

E a amiga procurando o balde. Saiu perguntando ao pessoal se não tinha um balde qualquer que ela mesma ia pegar a água do mar. Bêbada do jeito que ela estava ia cair no mar junto com o balde.

Daí essa amiga some e daqui a pouco aparece com um pacote de Ruffles. Pronto! Agora eu tenho certeza que o problema é pressão baixa mesmo. E eu achando que era cachaça. A outra lá deitada no banco e a amiga dando a batatinha na boca. "Come Karen, você precisa comer um pouco..." E metia o Ruffles que se quebrava todo antes de entrar na boca da menina... Karen não abria a boca, a outra gritava, ameaçava, até que ela conseguiu empurrar uma batatinha pela boca meio aberta. Karen não contou conversa e deu uma dentada na amiga. Pra quê?! A amiga ficou puuuuta, levantou e largou a Karen sozinha.

A Karen, lógico, com a pressão baixíssima começou a se mexer no banco. Ela virava de lado, mexia a perna e eu só esperando o inevitável.

Daqui a pouco ela abaixa uma perna no chão. Onda vai e onda vem a Karen começa a escorregar e... TEBUFF!

Karen cai pela segunda vez...

Caiu e ficou! Hehehe... Do jeito que caiu ela ficou naquele chão sujo de areia e água do mar. Depois de uns minutos os comissários de bordo do catamarã resolveram chamar a amiga de volta pra tirar a menina do chão.

E lá vem a amiga bufando pra "ajudar" a Karen. Ela chegou no pé do ouvido de Karen mais uma vez (o mesmo ouvido da 1ª vez) e mandou: "ACORDA KAREN! KAREN! ACORDAAA!!! EU VOU EMBORA! VOU DEIXAR VOCÊ AÍ NO CHÃO! ACORDA KAREN!".

Depois de alguns minutos de grito a amiga percebeu que não estava dando certo e resolveu mudar a tática. Daqui a pouco eu ouço: "KAREN! VOCÊ TEM QUE SENTAR!" e Pow! Começou a esbofetear a pobre da menina no chão. Era: "KAREN!" e um tapa. Era: "LEVANTA!" e um murro. A amiga descontou a dentada e acertou uns bons tapas de troco!

Aí eu pensei na Karen do dia seguinte: Com uma ressaca desgraçada, surda do ouvido direito e um monte de marca de dedo na cara.

Depois dos tapas a Karen, já surda de um ouvido e com a cara toda inchada, levantou e se sentou. A "amiga" fala uma coisa ou outra pra Karen e volta pra frente do barco deixando a coitada no banco sozinha. Não deu outra. Passou um tempinho a Karen deita no banco, se mexe pra lá e pra cá e... TEBUFF!

Karen cai pela terceira vez...

Era de fato a Via Crusis da cachaça. Só faltava ser crucificada agora. E dessa vez ela caiu com a cara pra baixo. Pelo estalo que eu ouvi acho que por um instante o nariz dela encostou na orelha. Daí volta a amiga pra mais uma sessão de gritos. O barco todo parava pra ouvir os gritos da menina. Dessa vez ela resolveu largar a Karen lá deitada mesmo e foi embora.

Agora imagine a minha viagem: Tempestade lá fora, o catamarã balançando mais que chaveiro de manco, nego vomitando perto de você, aviões do forró nas alturas e a amiga de Karen gritando bem do seu lado. Tava gostoso...

Quando eu achei que a situação estava solucionada (pelo menos estabilizada) me aparece a comissária com um sorriso no rosto e um saco de água enorme na mão. Eu acho que a mulher estava querendo mesmo era ver a putaria comer no centro. Depois de entregar o saco com água pra "amiga" lá vem ela com aquele monte de água em direção a Karen. A gentil amiga com a água na mão começou a ameaçar: "KAREN! LEVANTE! EU VOU JOGAR! EU VOU JOGAR ESSA ÁGUA EM VOCÊ! SENTE NO BANCO!". E a coitada da Karen que além de trêbada estava surda de um ouvido nem esboçava qualquer ação. Aí a "amiga" resolve jogar um pouquinho da água na cara da Karen. E ela nada! Estava quase em coma no chão e nem tchuns! E não é que a menina jogou a água na amiga? Pegou aquele saco enorme de água e deu um banho na pobre da Karen enquanto gritava: "LEVANTA! VOCÊ VAI TER QUE COMEÇAR A SE ACOSTUMAR COM A VERGONHA! LEVANTE!".

Agora imagine o que não passou pela cabeça da Karen. Desacordada, em um barco no meio de uma tempestade, acordando com um monte de água por cima do rosto. E não é que acordou mesmo? Levantou e sentou no banco e conseguiu ficar assim o resto da viagem, meio encostada na parede do barco, é verdade, mas não se arriscou a tomar outro banho no chão do barco não. Querendo ou não a tática funcionou.

E não é que eu nem senti o tempo passar? Quando eu me dei conta o DVD do Aviões do Forró já estava repetindo pela terceira vez, a Karen continuava encostada no canto dela e o catamarã estava parando em Salvador...

Da próxima vez que for a Morro eu vou de carro. E assim o fiz...



Viagem a Morro de São Paulo

A Ida, Dia 1, Dia 2, Dia 3, Dia 4, A Volta (parte 1), A Volta (parte 2)
April 10, 07:21 PM

E começa a viagem de Catamarã. A vinda, como disse foi tranquila. O mar calmo e a ansiedade da chegada fizeram a viagem passar rapidinho. Mas a volta... Isso sem falar na Karen que ainda vai aparecer na história.

Nos primeiros metros eu já senti que o parangolé ia ser diferente... O Catamarã balançava mais que a bunda da Preta Gil correndo.

Léa ficou logo enjoada. E eu também na verdade. Não teve Dramim que desse jeito.

O Catamarã tinha em cada cadeira aqueles saquinhos de vômito pra quem quiser dar aquela gofadinha básica (argh!). Léa catou o saquinho dela e me falou que ia vomitar a qualquer momento.

Eu estava um pouco melhor que ela naquele instante mas a situação estava complicando. Não tínhamos nem 30 minutos de uma viagem de quase 3 horas e já estávamos naquela situação.

O Catamarã continuava a balançar mais que a bunda da Preta. As ondas enormes pareciam que iam engolir o barco. As vezes a água entrava na parte externa do barco e batia nas escotilhas com força. Entre uma onda e outra a gente só via água pelas janelas. Uma situação bem tranquila vocês podem perceber.

Léa continuava naquela agonia de vomita não vomita e eu resolvi ensinar a ela uma técnica ninja que aprendi ao longo dos anos. A idéia era manter os olhos em um ponto fixo à frente e não desviar o olhar pra tentar diminuir os efeitos do balanço do barco.

Só tinha um probleminha: o ponto fixo à nossa frente era uma TV onde passava o show de Aviões do Forró!

Você leu certo: passava o show de Aviões do Forró...

Uma coisa é você ouvir Aviões do Forró no São João cheio de licor de maracujá na cabeça ralando o bucho no arrastapé com a nega véia. Outra é você ter que assistir todo o show sem poder tirar o olho da tela sob pena de ficar mais enjoado ou até vomitar.

Eu me vi dentro do filme Laranja Mecânica do Kubrick. Sabe aquela cena que amarram o cara em frente a uma tela que mostrava várias cenas de violência e ele com o olho mantido aberto por uma engenhoca e umedecido com um colírio de tempos em tempos? Pois é. Era eu assistindo Aviões do Forró no Catamarã.

Mas não tinha outro jeito. Eu tinha que ficar olhando para aquela tela. No início eu estava meio resistente mas chegou um momento que começou a ficar divertido.

Pelo que entendi a "banda" tem dois vocalistas: Xandinho e Solanja. Xandinho parece com o Chong Li do Grande Dragão Branco depois da dengue e com um feixe de molas no joelho. Ele não parava nem um segundo de flexionar aquele joelho enquanto cantava naquela dancinha miserável o tempo todo. Fora isso ele insistia em mandar umas onomatopéias durante o show pra animar a galera: Turucutum Diriguidon, Piriquiti Ziriguidum, e por aí vai. O pior é que colocaram essas coisas até nas legendas! Imagine a alegria do infeliz que teve que entender e transcrever aquelas onomatopéias para as legendas. E você reclamando do seu trabalho.

Sem falar que esse Xandinho parece que tem um caso com o baterista: o Riquelme. Toda hora mandava Riquelme agitar. Riquelme pra cá. Riquelme pra lá. Percebam que virei especialista em Aviões do Forró depois dessa viagem, né?

Já Solanja é uma gordinha que na época estava grávida e que, ao invés de cantar, gritava mais que uma cacatua psicótica.

Mas enfim! Voltando à viagem...

Seguíamos naquela viagem interminável com aquele Catamarã balançando, as ondas batendo e Aviões cantando.

De tempos em tempos alguém tentava se locomover dentro do barco. Na certa pra ir pro banheiro vomitar. Mas o que eu via era o povo se batendo em tudo que é coisa que encontrava na frente. Era cotovelo batendo em cabeça, gente quase caindo em colo de gente e nego segurando no que via pela frente pra não cair no balanço do barco. Mas o mais impressionante eram os tripulantes do barco se locomovendo. Parece que eles desenvolveram uma técnica-ninja-de-locomoção-em-barco-que-balança-pra-cacete! Impressionante mesmo. Só vendo pra crer. Todo mundo caindo e se batendo e eles andando rápido de um lado pro outro sem tocar em nada. Inclina prum lado, equilibra de outro e vai embora como se nada estivesse mexendo.

Tinha um tiozinho que trabalhava no Catamarã que toda hora vinha com um saquinho de vômito com conteúdo. Se é que vocês estão me entendendo...

Como eu estava no fim do barco toda hora o tiozinho vinha com um saquinho daqueles cheio e passava por mim. As vezes o conteúdo era marronzinho (feijoada?), outras era meio verdinho (maniçoba?) e algumas vezes tinha um tom meio avermelhado (moqueca?). Não sei se essa era a única função do coitado naquele barco mas se for é uma profissão PIOR que a do legendador de Aviões do Forró. E você reclamando do seu trabalho.

Mas como o tiozinho já tinha aprendido a técnica-ninja-de-locomoção-em-barco-que-balança-pra-cacete eu não ficava com (tanto) medo dele passando toda hora com um saco de vômito de cor diferente por mim. Isso até a hora que veio uma mulher, magrinha, com uma cara de sofrimento, bem abatida, caminhando em minha direção.

À medida que ela vinha eu fui entendo melhor o que estava acontecendo. Na mão esquerda ela tinha um saquinho daqueles... bem cheio. Acho que tinha uns 500 ml de ex-comida. Se é que vocês me entendem... Acho que pra facilitar a identificação do conteúdo o saquinho era meio transparente. Tinha feijão e arroz grudados na parede interna. E lá vinha a mulher andando com aquela cara de quase-morta. Como ela não possuia a técnica-ninja-de-locomoção-em-barco-que-balança-pra-cacete com a mão direita ela tentava se segurar no que aparecesse. Tentava pegar nas cadeiras, bagageiro, cabelo de quem estivesse perto. Com a mão esquerda ela ia trazendo o saquinho cheio. Por onde ela ia passando as pessoas iam se afastando com medo do iminente banho de ex-comida. Algo, convenhamos, não muito agradável.

Nessa hora Léa resolveu me perguntar alguma coisa mas eu não estava escutando absolutamente NADA! Eu só conseguia ver aquela mulher caminhando em minha direção com aquele saco de cheiro azedo. Quando ela chegou bem pertinho de mim ela esticou o braço pra entregar o saco pro tiozinho. No momento da troca das mãos até o mar parou na expectativa do que ia acontecer mas felizmente nada demais aconteceu.

Depois que a tal mulher deixou o saquinho com o tiozinho ela resolveu passar a mão no canto da boca e tirar aquele feijãozinho que estava ali grudado e que só ela não percebia.

Depois de passado o episódio entram no barco, vindo da parte externa, uma menina completamente bêbada caindo por cima de todo mundo. Essa é a Karen...



Viagem a Morro de São Paulo

A Ida, Dia 1, Dia 2, Dia 3, Dia 4, A Volta (parte 1), A Volta (parte 2)
April 10, 07:20 PM

Último dia no paraiso... Alegria de pobre dura pouco mesmo, fazer o quê. Fui então aproveitar o dia e esticar ao máximo a viagem.

Procurando um pouco de tranquilidade lá fomos nós para a 4ª praia. Léa não queria ir com medo do Guaiamum Vingador mas eu acabei convencendo ela dizendo que a gente ia para um outro lugar mais distante que aquele onde o guaiamum morava.

Ficamos de bobeira naquelas piscinas transparentes durante algumas horas só pensando na recessão da economia dos Estados Unidos, o estouro da bolha imobiliária americana e outros assuntos compatíveis com o ambiente. O mar estava mais tranquilo que mosquito em perna de tetraplégico.



Momento vidinha mais ou menos





Depois de exaustivo debate economico/financeiro com Léa resolvemos ir na tirolesa de Morro que eu, macho que sou, tinha prometido que ia descer desde o momento em que pus os pés no lugar.

Pra chegar lá é dureza. Não é uma trilha na Chapada mas é dureza. Léa reclamou desde a hora que apareceu a primeira ladeira no meio do mato até a hora que a gente chegou no topo no morro.





Passamos pelo Farol e no fim da trilha tivemos aquela visão bacana das praias de Morro de São Paulo. Até Léa parou de reclamar.



Depois de tirar umas fotos e contemplar o lugar lógico que chegou a hora da descida da Tirolesa. Na verdade nem tão lógico assim...

Achei na internet que essa é a maior tirolesa do Brasil com mais de 300 metros de comprimento e 57 metros de altura. Algo como um prédio de 14 andares.

Foi aí que eu constatei uma coisa muito interessante da natureza humana. Descobri que a sua vontade de ir numa tirolesa é inversamente proporcional ao quadrado da altura que você está em relação ao solo. Como a tirolesa de Morro é alta pra cacete quando eu cheguei lá em cima a vontade de descer na tirolesa era praticamente nula. Sumiu! Escafedeu-se!

Dá até pra deduzir a fórmula:

Vt = 1/A², onde Vt é a vontade de descer da tirolesa e A é a altura em relação ao chão.

Batizei de o Teorema da Tirolesa mas pode ser aplicado também em outros divertimentos radicais como rapel, pára-quedismo, escalada e afins.

Enfim. Descemos o morro (andando, lógico) e fomos arrumar as trouxas que logo depois do almoço a gente vai pegar o Catamarã de volta.

Voltamos a almoçar no restaurante do francês que tinha um monte de guloseimas interessantes. Comemos um crepe salgado, outro doce e mais 2 docinhos que eles fabricam. Léa que já não gosta...



Antes de pegar o Catamarã a gente deu uma passada no Forte do Morro. O sol estava se pondo e o visual era fantástico.



Depois disso entramos no Catamarã, demos um até logo a Morro de São Paulo e nem desconfiávamos que logo logo iria começar a Via Crucis da Karen. (Que Karen?)





Viagem a Morro de São Paulo

A Ida, Dia 1, Dia 2, Dia 3, Dia 4, A Volta (parte 1), A Volta (parte 2)
April 10, 07:20 PM

Acordamos cedo por causa do passeio. Cedo quando eu digo é umas 8h. É cedo pra quem está de prega em Morro de São Paulo. A primeira coisa que eu fiz foi abrir a janela pra ver se os 130 reais investidos no passeio iam ter o retorno esperado ou não. Abri a janela e... estava um sol daqueles! Só alegria!

Fomos tomar café. Dessa vez eu vi logo que não tinha cebola com tomate pros gringos. Não entendi exatamente o porquê.

Continuei comendo um bolinho, uns pasteizinhos (!?) e lá pelas tantas fui pedir um ovo mexido pra "minha tia":

- Minha tia. A senhora faz um ovo mexido pra mim?
- Ôh menino... Por que você deixou pra pedir só agora que os gringos chegaram?
- Por quê?
- Ah meu filho. Se deixar esses meninos comem ovo com tomate e cebola todo dia. Não tem como não.
- Ah tá.
- Mas me dá um pão escondido que eu frito um ovo pra você.

Lógico que eu dei um pão pra ela colocar o ovo. Depois eu fiquei pensando: como é que eu vou comer esse pão com ovo sem esses 20 israelenses verem? Os gringos vão ver e vai ter uma rebelião aqui nessa pousada. Vai ser a revolta do ovo com tomate e cebola!

Recebi o pão com ovo meio que escondido e comecei a comer. Toda hora caia pedaço de ovo mexido no prato quando escapulia do pão. Os gringos olhavam o ovo no meu prato e iam pedir pra mulher com aquele português de Israel:

- Pur favou. Duis óvos.

E a mulher respondia gritando como se os gringos fossem surdos:

- HOJE NÃO! SÓ AMANHÃ!

Os gringos olhavam pra meu pão, olhavam pra ela e deixavam pra lá...

Eu comi logo aquele pão pra evitar mais estresse e fui embora que o menino da lancha já tinha ido lá na pousada me chamar que passeio já estava pra sair.

Chegamos no lugar combinado que era a uns 100 metros da pousada que eu estava. Esperamos mais alguns minutos e lá fomos para a lancha para começar o passeio.

O barco era um daqueles Flexboat meio lancha meio bote. Se ele virar lá no fundo pelo menos não afunda.



No inicio Léa estava meio tensa. Pegar mar aberto com aquelas ondas não era exatamente o que ela estava esperando.

Mas o medo logo desapareceu na primeira parada quando a gente chegou nas piscinas naturais de Guarapuá.

De cima do barco a gente conseguia ver uma quantidade inacreditavel de peixes naquela água transparente.

A gente seguia andando pelas águas e tinha que pedir licença aos peixes que se batiam na gente.



Na verdade os peixes são mal acostumados. O pessoal que ia pra lá levava pão pros peixes que já estavam viciados naquele esquema. Se deixar de ir turista pra lá é capaz dos peixes morrerem de fome porque não sabem mais buscar comida.

Teve uma menina que levou uns 10 pães pra dar pros peixes. Até Léa pegou uma ponga e deu pão pros peixinhos.






De lá paramos na praia de Itacimirim/Cueira já na ilha de Boipeba.

A praia é de cair o queixo. Não dá pra explicar a beleza do lugar. Nem com foto. Já ví muita praia bonita mas aqueles coqueiros sumindo no horizonte e nem um pé de gente pra contar história foi fantástico.



Nessa praia tem um pescador que montou uma "barraca" embaixo de uma amendoeira. Eu sentei ali naquela sombra com aquele vento bacana vindo do mar e pedimos uma porção de lagosta com 5 lagostas a 25 reais! Eu e meu amor, naquela praia linda, comendo lagosta e gastando 25 reais! Se viesse um Suriname daquele mar (como diz minha tia Vânia) e me matasse eu morria sorrindo!



Momento vidinha mais ou menos







Depois de alongar esse momento ao máximo nós precisávamos ir para a Boca da Barra em Boipeba. Ou iríamos de lancha ou seguiríamos por uma trilha. O cara da lancha fez uma pressão pra gente pagar um guia pra não ter problema de se perder no meio do mato e pra ele ir descrevendo os lugares, a fauna, a flora... E eu paguei.

O pessoal estava saindo com os seus guias e eu ví um menino sentado e perguntei se ele levaria a gente. Ele disse que sim com a cabeça. Nem abriu a boca o miserável. Só na hora que eu perguntei quanto era que ele disse que eram 2 reais por pessoa. Como eu não queria me perder no meio daquele mato eu resolvi acertar com o guri.



Pegamos a trilha e seguimos em frente. O "guia" seguia na frente... calado. A trilha seguia sempre reta e o "guia" seguia à frente... mudo. E lá fomos pela trilha. O caminho era bonito. Valeu o passeio mas a trilha era uma reta só desde a saída! Não tinha errada. Não tinha como "se perder no meio do mato".

E nessa fomos andando. O infeliz do guia começou o passeio mudo e chegou no fim calado. Fauna e flora é o cacete! Não aprendi o nome de nenhum matinho daquele, de nenhum passarinho que cantava! Nada!!! Foram os 4 reais mais perdidos da viagem. O miserável do "guia" só abriu a boca quando eu disse a ele que só ia pagar 1 real pra ele porque eu não tinha trocado.

- Aí não dá não.

Pra isso o infeliz abriu a boca. Troquei o dinheiro e paguei os 4 reais do menino.

A Boca da Barra é muito bacana também. Água quente e calma, umas 2 barracas e muita tranquilidade.

Ficamos alí naquele paraíso sem fazer nada naquela paz e tranquilidade.



Momento vidinha mais ou menos





Ficamos por alí até a saída do barco. Seguimos pelo Rio do Inferno. Deus é mais... E foi.

Chegamos em Cairú. Uma cidade histórica das redondezas. Na chegada a gente é abordado por uns 300 guias querendo mostrar o lugar.

Depois do guiazinho de Boipeba eu não queria mais saber de guia. A galera do barco foi subindo meio que junto a cidade e um guia logo se meteu no meio e descreveu a cidade que era aquela rua e nada mais...

Quando a gente chega no fim da rua tem um mosteiro e o guia pede um trocado pro pessoal. Eu virei pra ele e mandei cobrar do guia mudo de Boipeba.

Fomos entrando no mosteiro. Logo na entrada tinha um padre pegando um dinheiro do pessoal. Eu achei que o pessoal estava comprando uma camisa de lembrança.

Estávamos vendo uma igreja caindo aos pedaços quando veio um rapaz do mosteiro avisar que eram 2 reais por pessoa e quem tivesse "esquecido" de pagar era pra voltar na recepção.

Eu mandei o cidadão cobrar do guia mudo de Boipeba e fui embora.

Descendo a ladeira eu parei num bar pra beber uma água e perguntei ao dono se tinha banheiro. Ele me perguntou de volta:

- É pra homem?

Eu disse que sim que era pra mim. Aí ele apontou pro fundo do bar.

Depois daquela pergunta eu sabia que coisa boa não ia ser aquele "banheiro".



Quando eu cheguei no local e vi isso usei a velha tática de uso de banheiro químico no Carnaval de Salvador: dei uma puxada no ar do lado de fora e segurei a respiração até o fim rezando pra que a mijada terminasse logo.

Depois dessa pegamos 50 minutos de barco até chegar em Morro já anoitecendo.





Aqui nessa foto dá pra ter idéia de todo o passeio que a gente fez:



Apesar de cansados deixamos nossas coisas e fomos comer. Paramos numa pizzaria rodízio sem botar muita fé mas a surpresa foi ótima. Tudo muito gostoso. Tinha uma de calabresa com gorgonzola que era excelente.

Comi 25 pedaços e o garçom magrelo disse que eu era fraco. Ele falou que já comeu 30. Disse que teve um cara que apareceu lá que comeu 42 pedaços de pizza. Eu perguntei se o cara saiu de lá andando e o tamanho do infeliz. Ele disse que o cara saiu tranquilo e que magro ainda por cima.

Depois dessa voltamos pra pousada com as panturrilhas doloridas pra descansar um pouco que amanhã é dia de despedida.



Viagem a Morro de São Paulo

A Ida, Dia 1, Dia 2, Dia 3, Dia 4, A Volta (parte 1), A Volta (parte 2)
April 10, 07:20 PM

Acordamos nem muito cedo nem muito tarde... Estamos a passeio. Deixa o acordar cedo pra segunda-feira.

Descemos para tomar o aguardado café da manhã da nossa pousadinha. Esquema de pobre você já sabe o que é né? Detona no café da manhã pra almoçar lá pelas 5 horas da tarde e nem precisar jantar!!! Uma das várias técnicas ninja de sobrevivência em viagens. Mas vejam que eu já evoluí de um ano pra cá: não estou mais me hospedando em albergue e compartilhando o quarto com outras 12 pessoas!

Chegamos no lugar onde era servido o café e não encontramos nada de muito especial: pães, sucos, biscoitos, bolos e... tomate e cebola!!! Como assim tomate e cebola?! Nunca comi tomate e cebola pela manhã. Na Inglaterra eu até arrisquei um feijão cozido com bacon de manhã mas nunca tomate e cebola.

Pensei em comer umas rodelas de tomate com bolo de aipim ou uma cebola com pão e manteiga pra ver qual era a boa mas acabei desistindo da ideia.



Lá pelas tantas começa a chegar umas 2 dúzias de israelenses pra tomar café. Comecei a prestar atenção no tomate e na cebola. Dito e certo! Os gringos pegaram um pão francês, abriram e tacaram tomate e cebola pra dentro. Deram uma salgadinha e por cima jogaram um ovo mexido. Uma delícia...

Eu continuei a minha técnica ninja de sobrevivência em viagens e depois do 12º pão com presunto e do 4º copo de suco achei que seria o bastante pra seguir para a praia sem preocupação com comida. Praticamente um camelo mas no lugar de água, pão!

E lá fomos nós a caminho da 4ª praia. Ô vidinha mais ou menos... A 4ª praia é a mais distante e tranquila das 4 praias do início de Morro de São Paulo. Ah sim! Aqui vai uma recomendação. Na verdade uma não-recomendação. Nunca coma 12 pães e saia pra andar 30 minutos na areia da praia debaixo do sol. Dá uma embolação estomacal sem precedentes. Sem falar na dor de facão...

A caminho da 4ª praia vi mais um serviço de táxi típico de Morro de São Paulo. Eu estava um pouco distante mas reconheci Besteira, Bobagem e Brincadeira. Eram os jegues que estavam levando o pessoal nas charretes.



Chegamos na 4ª praia e encontramos aqueles tantos quilômetros de praia praticamente só pra gente.



A praia tem um monte de amendoeiras que dão uma sombra maravilhosa e, para desespero dos nativos, de graça!

Escolhemos a melhor sombra e lá fomos nós deixar as coisas na areia pra cair no mar. Léa observou que na areia havia um monte de buracos de uns 3 cm de diâmetro... Ela me perguntou o que era e eu disse que devia ser de alguma "cobra-da-areia" que morava ali naqueles buracos. Apesar de saber que era brincadeira ela ficou meio assustada com essa história e começou a fechar um monte daqueles buracos com o pé. Eu falei:

- Essas cobras vão se retar com você! - Quem avisa amigo é!

Mas tudo bem... Seguimos para o mar e ficamos ali de molho por um bom tempo. Muita paz e tranquilidade...



Momento "Vidinha Mais ou Menos"





Voltamos pra areia e Léa resolveu ligar pra mãe dela em São Paulo pra fazer inveja e matar a saudade. Eu fiquei sentado na areia ao lado dela ouvindo o papo e olhando para aquele paraíso na minha frente. Estava tudo muito calmo, tranquilo... Eu e ela estávamos relaxados e distraídos... O mar ali na frente, ondinha vindo, ondinha indo... De repente eu vejo com canto de olho alguma coisa esquisita entre eu e Léa na areia. Fui percebendo que a coisa estranha ANDAVA entre eu e ela. Quando olhei para aquela coisa que ainda não sabia o que era ví que ele era azul e tinha uma monte de patas! Era um guaiamum!!! PIOR! Era o guaiamun vingador! (música de suspense ao fundo) Eu sabia que isso podia acontecer. O guaiamum vingador, possuidor de técnicas ninja mortais, treinado pelo temido Mestre Pai Mei estava ali buscando, óbvio, vingaça.

Fiquei assustado! Pulei pra um lado e Léa, ainda distraída, continuava tranquila ao telefone sem perceber o perigo iminente. Depois que ela percebeu que eu corri para um lado ela viu na areia aquele bicho azul cheio de patas olhando pra ela. Léa sabia que ele estava ali pra se vingar dela depois que ela destruiu a entrada da casa do coitado... Na iminência de um ataque ninja mortal Léa jogou o celular pra longe e saiu correndo. A mãe dela, que estava do outro lado da linha, ficou com a boca cheia de areia!
Acabou que cada um correu para um lado. Eu fui pra direita, Léa pra esquerda, o celular pra frente e o guaiamum vingador retornou, vitorioso, para sua toca. Depois dessa nunca mais Léa tapa buraco na areia...

Recuperados do susto demos boas risadas e ficamos um pouco mais por ali apreciando a vista, o clima, o mar...

Depois fomos para 2ª praia. Aquela praia mais agitada cheia de gringo, barracas e restaurantes. Chegamos na beira da praia e estendemos a canga pra sentar. Daqui a pouco eu pego a câmera pra tirar umas fotos... O que aconteceu? A máquina quebrada de novo... Não é possível... Depois de uma sessão de espancamento ela ficou boa e agora está ruim de novo? Deve ser síndrome de mulher de malandro. E lá fui eu colocar a câmera de novo no tratamento ninja da porrada... A coitada da câmera apanhou mais do que carne de segunda. Fui ver se estava funcionando e nada. E tome porrada. A câmera tava levando mais cacete que torcedor vascaíno perdido na torcida do Flamengo. Testei mais uma vez... NADA! Já era... Deve ter sido o último suspiro dela mesmo. Fiquei pensando: As fotos que deu pra tirar deu. Agora já era!

Como a esperança é a última que morre eu dei mais umas cacetadas na câmera. A coitada apanhou mais que bode na horta. Mais que timbáu na mão de timbaleiro. Mais que teclado na mão daquele guri alemão estressado que queria jogar Unreal Tournament!

Depois da surra eu fui testar a maquina mais uma vez e... não é que a danada FUNCIONOU?! Sabia que era falta de porrada! Essa técnica ninja é infalível! Sempre que Léa se nega a pegar um copo d'água pra mim quando eu estou no sofá eu uso essa técnica e sempre funciona. Continuei tirando fotos. Tirei mais uma meia dúzia e a máquina parou novamente. Fiquei pensando se ia ter que passar a viagem toda dando porrada na máquina igual eu faço com a Léa mas acabou que eu percebi que a máquina só dava problema quando o zoom estava no máximo! Ahhhhhhhhhh... Agora tudo faz mais sentido! Sempre que usei o zoom no máximo a máquina deu problema. Com o zoom no mínimo ela sempre funcionou.

Depois disso eu fiquei até com pena da pobre da máquina, coitada. Apanhou tanto sem necessidade. Ao contrário de Léa que sempre apanha por algum motivo. As vezes eu posso até não saber o motivo pelo qual estou batendo nela mas ele sempre sabe o motivo da surra que está levando.

Lá pelas tantas os 12 pães começaram a diluir na barriga e a fome começou a aparecer. Fomos pra vila procurar um lugarzinho legal pra almoçar. Acabamos num restaurante chamado Tinharé. O mesmo nome da Ilha. Esse restaurante fica praticamente num buraco. Você desse uns 5 metros de altura até chegar nele. Nessa descida existe uma construção da arquitetura moderna de Morro de São Paulo digna de documentário do Discovery Channel. É a escada que eu batizei de escada equilibrista.





Fantástico projeto da arquitetura moderna. Com certeza essa construção demorou no mínimo uma década para ser feita e deve ter tido a particiação de um exército de Engenheiros competentíssimos...

Enfim... Chegamos no restaurante e pedimos uma moqueca de camarão. Bem cliché mesmo... Mas o cliché acabou sendo uma surpresa. A nossa moqueca veio acompanhada de arroz branco, pirão (até aí tudo bem), feijão de caldo e salada!(?) Como assim??? Além disso o pimentão e a cebola eram picados no molho... O molho parecia uma pasta de cebola e pimentão batido no liquidificador.



Somado a isso eu lembrei do milho cozido na praia e do queijo coalho no carrinho de picolé. Isso sem falar na total ausência de uma baiana vendendo acarajé na praia! É a primeira praia baiana que eu vejo sem uma baiana por barraca vendendo acarajé! Definitivamente esse Morro é de São Paulo e não da Bahia...

Já comido (lá ele) fui comprar um passeio que faz um tour em volta da ilha visitando vários locais interessantes. Procuramos em diversas agências mas o preço era tabelado: 65 reais por pessoa "apenas". Como todo mundo que eu pedi uma dica me recomendou esse passeio acabamos comprando... Resta saber se amanhã vai fazer sol ou se os 130 reais vão ser levados pela chuva.

Voltamos à tardinha pra pousada pra descansar um pouco... À noite voltamos para a vila e paramos num Café: O Café das Artes. Lugarzinho bem interessante que servia uns cafés bem variados. Acabamos pedindo um Mocha e um Frappé e ficamos ali olhando a vila à noite...



Momento "Vidinha Mais ou Menos"





Voltamos pra pousada já tarde pra descansar que amanhã vai ter o super passeio de lancha pela ilha... Ah sim! Lá pelas tantas eu e Léa sentimos um cheiro estranho... Não fui eu que peidei se é isso que você está pensando... Vinha do quarto do lado onde estavam reunidos alguns daqueles israelenses comedores de tomate com cebola... Dessa vez eles estavam queimando algo... Me pareceu ser orégano... Deve ser alguma receita lá de Israel...



Viagem a Morro de São Paulo

A Ida, Dia 1, Dia 2, Dia 3, Dia 4, A Volta (parte 1), A Volta (parte 2)
April 10, 07:20 PM

Pois bem... Chegamos em Morro com o tempo nublado e a chuva bem fininha... Qualquer coisa perto daquele dilúvio histórico de Salvador é chuva bem fininha...

Descemos do catamarã e logo no pier você já é abordado por umas 150 pessoas querendo te indicar essa ou aquela pousada. Irrita um pouco mas nada demais. As abordagens continuam por todo lugar que você ande até você tirar a mochila das costas na pousada e perder aquele jeito de turista recém-chegado.

No pier ainda, tem também um monte de menino com carrinho-de-mão pra levar as malas e sacolas dos turistas. Como em Morro de São Paulo as ruas são de areia e existem muitas ladeiras tem muita gente que usa o serviço desses caras pra carregar as malas. São os táxis da cidades...



Saindo do pier você se depara com um portal de entrada. Bem antigo. Dá bem o clima do lugar. E logo depois tem uma ladeira miserável. Daí você começa a entender porque tem tanto menino querendo levar as malas dos turistas. E o mais importante... Por que tem tanto turista que entrega as malas pros meninos levarem.



Vencida a primeira ladeira você se depara com uma igrejinha e mais um pouco a frente um descampado maior e a uma rua cheia de restaurantes e agências de turismo. Seguindo essa rua você chega até a praia. Essa é a "vila"...





Para minha grata surpresa os restaurantes da vila eram ótimos... E não eram muito caros não. Quer dizer... se você está acostumado a tomar cerveja no Chuleta e comer PF de 5 reais no Bar do Chico vai achar as coisas caras. Se você costuma ir em alguns restaurantes mais bacanas vai achar tudo na mesma. Mas o preço é bem compatível com a qualidade na maioria das vezes.

Continuamos descendo a ruazinha de areia da vila até chegar na praia. Lá pelas tantas você se depara com esse quebra-mola de carrinho-de-mão. Perguntei na vizinhança e soube que houve um engavetamento de 5 carrinhos-de-mão com vítimas que saiu até no Jornal Nacional. Depois disso construíram o quebra-molas pra controlar a velocidade dos "motoristas".



Continuei o meu caminho até a pousada. Fui desviando de dos nativos oferecendo pousada de tudo quanto é "marca" e me enfrentando as ladeiras pra descer o Morro. Só aí você entende porque o nome desse lugar é MORRO de São Paulo. Aí você, com aquela mochila pesada nas costas, pensa: "bem que podia ser Planície de São Paulo, né não?! Essa história de Morro é muito cansativa!"









Depois dessa corrida cross country de subidas, descidas, quebra-molas, disputa com carrinhos-de-mão e desvio de nativos-oferecedores-de-pousadas-diversas você se depara com essa vista e pensa: "valeu a pena".



Essa é a segunda praia. A primeira praia fica logo a esquerda mas a segunda praia é onde tudo acontece. Seguimos por ela até chegar na nossa pousada na terceira praia.



Chegamos na terceira praia rapidinho. A terceira praia é mais calma que a segunda e é de onde saem os passeios de barco.





Achamos a pousada e fomos deixar as coisas. Quando chegamos no quarto a primeira coisa que eu fiz foi olhar a câmera de novo. Eu não me conformava que ela não estava funcionando. Peguei a câmera na mão e comecei a dar tapa nela. Pow! Pow! Pow! E cantava no melhor estilo do Pagod'art: "Se você quer tome! Quer? Quer? Tome! Tome! Tome!"

Léa me perguntou se era alguma técnica ninja de conserto mediúnico de eletrônicos. Eu disse que pior não podia ficar não é verdade!? Pois é. E pra minha surpresa, como todos já devem ter percebido pela quantidade de foto que eu já coloquei aqui, a miserável voltou a funcionar!!! Graças aos ensinamentos de Alan Kardec e o conserto de Dr Fritz vamos ter fotos do Morro de São Paulo!

Na pousada percebemos que depois de tanta chuva as roupas estavam todas molhadas dentro da mochila. Tivemos que tirar tudo e estender pelo quarto em tudo quanto é canto. Coisa de pobre... Nessa hora eu lembrei do Ronaldo que fala que mala é coisa de pobre. Ele chega na cidade e compra tudo de novo. Imagine o que ele ia dizer de uma mochila cheia de roupa molhada e um monte de roupa estendida pelo quarto.

Pois bem... Deixamos as coisas e fomos almoçar porque que as lombrigas já estavam se mordendo de tanta fome... Ficamos pelas barracas da segunda praia mesmo e almoçamos com o pé na areia, olhando o mar ali perto e descansando da viagem e da corrida cross country modalidade mochila nas costas.


Momento "Vidinha Mais ou Menos"



Depois do almoço seguimos para a beira da praia. Existe na beira da praia um monte de cadeiras daquelas de plástico tipo espreguiçadeiras, sabe? A maioria ocupadas por gringos. Eu achei ótimo. Pensei: Vou chegar, ficar numa dessas, debaixo de um super sombreiro e vou tomar uma cerveja o dia todo aqui na beira da praia. Ôh ilusão!

Fui chegando perto das cadeiras meio desconfiado e um nativo chega pra conversar. Ele sentiu o cheiro de pobre a vários metros de distância. Não posso fazer nada. Por mais que eu disfarce, a miséria do ranço de pobre fica. Não tem jeito. Até o dono das cadeiras de praia de Morro de São Paulo percebeu... E lá veio ele muito educado:

- Olá. Tudo bom. - Na verdade ele devia estar pensando assim: "Olá seu pobre. Vou dizer quanto custa pra deitar nessa cadeira e você vai embora!"
- Oi. Tudo bom?
- Está querendo utilizar nossas cadeiras? - E pensava: "Diz que sim pra eu te dizer o preço, pobretão!"
- Ah sim, claro! É das barracas não é?
- Não senhor. Cada cadeira custa 10 reais pra deitar. - E no pensamento ele dizia: "Pronto meu filho. Agora que sabe o preço vai logo saindo daqui pra não espantar os gringos que pagam em Euro."
- 10 reais? Por cadeira?
- Isso. - E pensando: "Além de pobre é surdo, o miserável!"
- DE GRAÇA!!! Deixa eu sentar ali na areia então pra ter dinheiro pra comer à noite meu velho. - E fui embora...

Fui andando um pouquinho mais e arrumei um lugarzinho na areia pra sentar... dessa vez de graça.

O céu estava encoberto. Mas pra mim eu estava no lucro total! Há poucas horas eu estava ensopado na rua com água dando na canela!!! Agora, de sunga, na beira da praia, era praticamente um milagre de Frei Galvão. É que eu viajei com uma foto do Frei Galvão no bolso pra ver se ele falava com São Pedro pra parar a chuva. Nada melhor que um santo brasileiro pra interceder a favor do sol numa praia baiana não é verdade? Dá-lhe Frei Galvão...



Lá pelas tantas fomos na água. Com a mesma vontade que eu entrei na água eu saí. Que água gelada desgraçada! Estava muito gelada mesmo... E as gringas branquelas se divertindo na água. A água devia estar mais quente que na Noruega por exemplo. Deduzi pela cor da pele e a animação delas naquela água gelada.

Voltamos pra areia... Ficamos ali "de prega" naquele lugar "feio" apreciando a "feiura" do lugar.



Momento "Vidinha Mais ou Menos"



Enquanto a gente via o tempo passar quem passa pela nossa frente? Um carrinho que vendia queijo coalho assado. Queijo coalho é comum em Salvador. Com melaço e orégano é excelente. Mas num carrinho desse tamanho eu nunca vi não. Deve vender muito queijo por essas bandas de cá.



Continuava tudo tranquilo... mas de repente me aparece um carrinho que vendia milho cozido (?). Milho cozido na praia??? Só aqui em Morro de São Paulo pois eu não tinha visto isso em lugar nenhum da Bahia.

E não é que Léa teve a vingança tão aguardada? Há alguns anos eu brinquei com ela dizendo que só em São Paulo vendia milho cozido na praia. Que isso não existia em lugar nenhum. Clique aqui para relembrar a história antiga. E hoje veio a prova que praia é mesmo lugar de milho cozido. Será? Eu ainda prefiro a minha acarajé com camarão e vatapá. Vai entender... Eu até perguntei ao menino se ele vendia isso há muito tempo ali. Ele disse que tinha uns 7 anos que vendia milho cozido na praia. Pelo jeito esse costume é mais velho do que eu pensava.





Como a praia não estava quente o suficiente e a gente estava cansado da viagem voltamos pra pousada pra tirar um cochilo. Acordamos mais tarde e fomos passear na vila à noite. O lugar é ótimo! Tudo bonitinho, muitas opções de restaurante, muita coisa interessante pra ver e um monte de gringo passando pra tudo quanto é canto: italianos, espanhois, israelenses, ... Se duvidar tem mais gringo que brasileiro. Inclusive os donos dos restaurantes, por exemplo.











Tem até essa estátua desse rapaz tentando achar o bingolinho nessa loja de "arte"...



A gente deu uma paradinha num restaurante de um francês que chama Oh la la! Bem simpático o lugar. Cheio de guloseimas francesas de padaria. Daquelas que envolvem farinha de trigo, açúcar e aumento de peso pra quem come. Também atacamos um waffle com chocolate e sorvete. Delícia!



De lá voltamos pras praias. Muita gente nas praias a noite também. Ficamos ali pela segunda praia e fomos beber alguma coisa numa barraca.

A noite eles armam um monte de barraquinhas de rosca. Um monte! E tem fruta de todo gênero, número e grau!!! Tinha fruta que eu nunca tinha visto... Acabou que eu tomei um drink chamado Jamaica. Era uma roska com meia dúzia de frutas misturadas. A mistura não deu muito certo não mas enfim...



Depois dessa já era tarde e fomos dormir porque amanhã o sol promete!



Viagem a Morro de São Paulo

A Ida, Dia 1, Dia 2, Dia 3, Dia 4, A Volta (parte 1), A Volta (parte 2)
April 10, 07:20 PM

Pois bem... Feriadão sabe como é que é né? Pobre tem que arrumar um lugar pra viajar. Rico não tem esse problema. Rico quando quer fazer alguma coisa vai e faz! Tá a fim vai fazer compra na Oxford Street em Londres numa sexta-feira? Vai e ainda volta a tempo de fazer um passeio de iate na Baia de Todos os Santos. Tá a fim de curtir as praias da Grécia? Vai e ainda fica 15 dias porque estava "muito estressado" e passando "por uma fase complicada da vida".

Então... Eu, como bom pobre que sou, deixei de jantar 15 dias, passei um mês sem sair de casa nos fins de semana e ainda me endividei todo no cartão de crédito mas fui pra Morro de São Paulo. Que maravilha!

Léa, no início, ficou se amarrando pra pagar a fortuna dos 50% de reserva da pousada antecipadamente sem saber se ia chover ou não no feriadão. Acabou que depois de muita conversa pagamos a reserva e torcemos pra que São Pedro colaborasse.

Com exatos 10 dais de antecedência eu comecei a olhar a previsão do tempo em Salvador. Coloquei nos meus favoritos e todo dia pela manhã abria a página da previsão do tempo. Na semana anterior ao feriadão Salvador, que estava fazendo um sol de lascar, começou a chover sem parar. Alegria de pobre dura pouco mesmo.

O dia ia chegando, a chuva em Salvador continuava e a previsão dizia: Parcialmente nublado. Tá ótimo! - pensei. Se vai estar parcialmente nublado a gente caminha pra onde está parcialmente com sol e curte a praia.

O dia ia se aproximando cada vez mais e a previsão do tempo dizia: Pancadas de chuva. Como pancada de chuva não machuca nem fiquei muito triste. Uma hora o sol ia abrir.

Até que na véspera da tão sonhada viagem a previsão do tempo dizia: Chuvas e trovoadas. Lascou! Vou pra Morro de São Paulo curtir trovoada em quarto de pousada? Mas agora Inês é morta e eu não ia perder a fortuna do adiantamento da pousada. Vamos ver no que vai dar...

E começa a aventura... Acordamos sábado cedinho e fomos pegar um ônibus até o pier do Mercado Modelo pra pegar o catamarã. Chegamos no ponto de ônibus e começou um chuvisquinho bem light. Beleza! Pra quem estava esperando "chuvas e trovoadas" um chuvisquinho a gente tira de letra!

A viagem de ônibus começou e o que era chuvisco virou dilúvio. Era muita chuva em Salvador. Pense num pé d'água! A gente ia andando pela cidade e eu só via chuva. Quando a gente estava chegando a gente passou por uns viadutos e na parte debaixo a gente via as ruas alagadas e paradas! E eu pensava: 4 dias dentro do quarto da pousada com aquela praia linda lá fora...

Quando chegamos na Praça da Sé e tentei pagar o frescão com uma nota de 50 reais o motorista me disse o que eu já esperava: "não tenho troco". Eu já tinha tentado trocar o dinheiro antes mas não teve jeito. Agora eu ia ter que conseguir de qualquer jeito. E lá fui eu procurar um lugar nas redondezas pra trocar o dinheiro. O problema era o dilúvio! A chuva era demais... E lá fui eu de havaianas e mochila nas costas trocar o dinheiro. Eu comecei a ficar completamente encharcado. Dos pouquíssimos lugares que estavam abertos nenhum conseguia trocar o dinheiro. Quando eu desisti de procurar liguei pra Lea que ficou no ônibus e ela já atendeu dizendo que o cara conseguiu o dinheiro. Felizmente... Eu estava molhado até a alma e ainda ia ter que andar até o pier pra pegar o catamarã.

Fiquei esperando com Léa uns 5 minutos pra ver se a chuva diminuia. Aí pensei: O que é um peido pra quem está todo cagado? Pois então. Já estava todo molhado mesmo então lá fomos nós. Descemos o Elevador Lacerda, andamos até o Mercado Modelo e agora teríamos que caminhar uns 100 ou 200 metros até o pier do catamarã.

Nesse momento nós estávamos completamente molhados, nem a alma estava seca. Os dois com as mochilas nas costas e havaianas no pé. Em clima de praia: de bermuda e camiseta. Hehehe. Olhamos para aqueles últimos metros sem nenhuma arvorezinha pra diminuir a chuva e pensei: O que é outro peidinho pra quem já está todo cagado? Eu olhava uns gringos andando também até o pier e eles lá caminhando calma e lentamente. Eles estavam mais resignados do que nós. Já que não tinha jeito lá fomos nós. Sem muita pressa. As ruas pareciam rios. Tinha até correnteza. Quando a gente está pra chegar tem uma rua mais baixa que a água deu na minha canela. Sem exagero. Sem pressão. A água passou do tornozelo e estava dando na canela. E eu lá tentando andar de havaianas... Lembro que os últimos passos fiz com um pé no chão e uma havaianas quebrada na mão...

E chegamos totalmente encharcados debaixo de algum teto para esperar o catamarã. E foi assim que começou o meu feriadão para Morro de São Paulo. E eu só fico imaginando o infeliz do rico que pegou o carro importado, largou no estacionamento do aeroporto, pegou um bimotor que custa 3 vezes mais que o catamarã e vai chegar em 20 minutos em Morro. Eu ainda tenho 2 horas dentro de um barco pra chegar lá.

Depois de alguma espera pegamos o catamarã, sentamos no fundo e começamos a viagem. Na saída do pier eu fui tirar umas fotos do dilúvio que caía sobre Salvador para registrar mas para a minha surpresa as fotos saíam todas brancas, estouradas como se diz. Eu não acreditei. A minha máquina tinha dado mais uma vez um problema que não deixa o obturador fechar e todas as fotos saiam estouradas. Pelo jeito o problema voltou. Puta que pariu! Eu tinha usado a máquina poucos dias antes e tudo funcionava bem. Se eu soubesse que ela estava ruim pegava alguma maquina emprestada, mandava consertar, enfim. Pois bem... pelo jeito as imagens de Morro vão ficar só na memória.

A viagem prosseguiu tranquila pois o mar estava mais ou menos calmo. O Dramin estava fazendo efeito e tinha até um soninho rolando mas eu não conseguí dormir. Lá pelas tantas tive que ir no banheiro dar uma mijadinha. Foi triste!

Você já entrou em banheiro de catamarã? É pior que banheiro de avião. É pior que banheiro de ônibus em estrada esburacada. É tão apertado quanto, só que o barco não para de balançar! Balança de uma lado pro outro, de um lado pro outro, de um lado pro outro... É um balançar infinito! Isso porque o mar estava tranquilo! E aí foi que começou o desafio: acertar o mijo no vaso! Não é pra qualquer um não amigo. Tem que ter várias técnicas ninja! Uma para se apoiar e não cair, outra pra segurar o dito e a última parar mirar o mijo naquele alvo, que era o vaso, que ficava balançando de um lado pro outro.

No início, ainda não tinha apurado minhas técnicas ninja de mijar em banheiro de catamarã e por isso comecei com uma mão no dito e outra afastando a bermuda pra baixo. Lógico que não deu certo. Na primeira balançada eu bati minha cabeça na parede e tive que tirar a mão da bermuda pra me apoiar. Como é tudo muito apertado dentro do banheiro lembro que o jato de mijo começou no vaso e terminou na pia. Na segunda balançada o jato de mijo saiu da pia e voltou pro vaso. Meu cacete parecia mais uma mangueira de bombeiro desgovernada jogando mijo pra tudo que é canto. Lembro que o mijo acertou tudo dentro daquele banheiro menos o infeliz do vaso. Mirar o mijo no vaso é algo que exige habilidade fora do comum! Acho que todo passageiro deveria fazer um curso de mijo em alto mar antes de entrar no catamarã. E digo mais! Poderiam introduzir essa nova modalidade nos jogos do Pan! Seria o mijo ao alvo aquático. Não é pra qualquer um não...

Voltei pra minha cadeira. O banheiro era só mijo. Não era a minha intenção mas enfim...

Lá pelas tantas a natureza me chamou mais uma vez. Lá vou eu de novo bater aquele mijão mas dessa vez com técnicas ninja apuradas! Fiz tudo como da primeira vez: uma mão afasta a bermuda e a outra segura o dito. Só que dessa vez eu me joguei na parede. Como o vaso era num dos canto do (minúsculo) banheiro tinha uma parede em quina na parte oposta. Eu me joguei ali naquele canto, me apoiando com as costas e todo torto tentava mirar o mijo no vaso distante. Dessa vez o sucesso foi bem maior. Acho que acertei no vaso uns 60% do mijo. Sucesso! E digo mais... Essa poderia ser outra modalidade do Pan desse ano. Seria o mijo ao alvo aquático a distância!

A viagem continuava... E a maior parte do tempo eu ficava meio que sentado meio que deitado na cadeira - fora as idas pro banheiro, lógico - olhando para um ponto fixo pra não enjoar. O ponto fixo era quase sempre uma TV onde passava um DVD com uma compilação de músicas do Chiclete, Asa, Daniela e adjacentes, pra galera ir entrando no clima de praia, apesar da chuva lá fora. Tudo normal até aí. O interessante era só quando passavam as músicas do Asa. Todas as músicas do Asa vinham acompanhadas de legendas em inglês! Acho que pra gringaiada acompanhar. Agora pense numa tradutora ninja pra traduzir as músicas do Asa de Águia! Era hilário acompanhar aquilo em inglês. Hilário porque as letras na maioria do tempo eram patéticas mesmo e também em imaginar o esforço da tradutora pra traduzir músicas como Dança da Manivela (só assim pra eu aprender como era manivela em inglês), Dança do Vampiro (dente pra cá, dente pra lá virou tooth comes, tooth goes, hehehe) e outras pérolas. Coitada da tradutora. Mas o melhor mesmo foi quando Durval Lelys começou com o Asa Arrêa. Ficou bem uns 5 minutos falando o Asa Arrêa! Arrêa, arrêa, arrêa... E não é que a tradutora ninja traduziu? Virou: Asa Rules! Rules, rules, rules!

E assim fomos. Uma mijadinha aqui, Asa rules ali e 2 horas de viagem depois chegamos em Morro de São Paulo quase meio dia...



Viagem a Morro de São Paulo

A Ida, Dia 1, Dia 2, Dia 3, Dia 4, A Volta (parte 1), A Volta (parte 2)
February 08, 09:44 PM

- Alô. Eu queria falar com Larissa.

Pois é pessoal. Mais uma daquelas histórias de nego ligando pra mim querendo falar com num sei quem... Vamos dar trela a coitada...

- Oi... É... Quem está falando? - Sempre dou aquela pausa pra poder me preparar e ativar o lado inventativo (ou seria inventatório?) do cérebro.
- É a Margarida. É que me indicaram Larissa pra fazer uns trabalhos de Autocad e eu queria falar com ela.
- Ah sim... AutoCAD. - Já sei mais ou menos o terreno da conversa - É o seguinte Dona Margarida. É que a Larissa não veio hoje. Ela está com uns probleminhas.
- É mesmo rapaz... - falou em tom meio de decepção - Quem está falando?
- Maurício. Meu nome é Maurício. (!) Pois então Dona Margarida - nessa hora tive vontade de apelar pro velho problema da caganeira mas dessa vez eu mudei a história - É que ela tem um problema aí com álcool e as vezes ela falta...
- Ah meu filho. Isso é terrível mesmo...
- Pois é. Ela tem alcoolismo e as vezes ela falta o trabalho.
- Ah não meu filho. Porque eu usei bem o que é isso. Não estou falando do caráter nem nada mas é o compromisso! É o compromisso!!! Eu tenho um cunhado com esse problema e é terrível!
- Pois é. A senhora entende então. Mas tem aqui o Zé Roberto que também faz trabalhos em AutoCAD. Só um instantinho...

Nessa hora um colega meu aqui já estava olhando pra mim e dando risada quando eu disse que era Maurício. Aí eu quis passar a bola pra ele já que eu não ia ter a cara de pau de mudar a voz e continuar a conversar com a mulher.

Expliquei pra ele a situação e mandei ele dizer que estava cheio de trabalho e não podia pegar mais... O infeliz não quis. O que aconteceu? Tive a cara de pau de continuar a conversa com a mulher.

Depois de deixar a mulher esperando por meia hora eu volto a conversar com ela com a voz um pouco diferente:

- Alô. Dona Margarida?
- Oi Zé Roberto. Eu queria fazer uns trabalhos com você em AutoCAD será que a gente pode fazer?
- E como seria esse trabalho Dona Margarida.
- É trabalho de interior Zé Roberto. Só a planta baixa mesmo. É simples...
- Hmmmm... Sei...

De repente ela para de conversar comigo pra conversar com alguém sobre algum acidente envolvendo alguma escada em alguma obra... Depois d'eu ficar 3 minutos esperando ela fala:

- Espera só um pouquinho Zé Cobra (!?).

Hein? Zé Cobra? Mas tudo bem... Me deu até uma idéia. Mais 2 minutos e ela volta pedindo disculpa e explicando o tal acidente pra mim. E continuou:

- E então Zé Roberto (!), quanto será que você cobra isso pra mim?
- É só isso mesmo né? É interior que a senhora quer né?
- É sim... Eu já vou te passar os móveis e tudo já em escala.
- Em esacala né? Ótimo! Isso facilita muito a minha vida...
- Pois é Zé - já íntima - Eu sempre fui uma ás no desenho. Desde pequena. - ás e humilde pelo que eu entendi - Mas é que tenho muita coisa pra fazer. Os meninos estão tomando meu tempo e tem a obra... Eu queria pedir pra alguem fazer o desenho entende?
- To entendendo.
- E aí? Quanto que você me cobra pra fazer isso?

Como eu não tinha a menor noção de preço e pegando o gancho dela me chamando de Zé Cobra eu preferi mudar um pouco o rumo da conversa...

- Mas a senhora quer os meus serviços né Dona Margarida?
- É Zé Roberto. Queria esses desenhos aí no AutoCAD.
- Mas é AutoCAD AutoCAD mesmo?
- É... Por quê?
- É que na verdade Dona Margarida quando o pessoal liga pra cá perguntando sobre serviço de AutoCAD é só uma senha, entende?
- Senha? Como assim?
- É que na verdade a noite eu sou um stripper! E as mulheres ligam pra cá pra pedir meus serviços de stripper.
- Mas como assim? O que é isso? Mas me deram esse número pra fazer trabalho de AutoCAD!
- Eu sei... Mas essa é só uma senha. É que a gente não pode colocar no jornal serviço de stripper entende? E aí a gente colocou essa senha só para as clientes conhecidas e as amigas entrarem em contato.
- Então quer dizer que você não vai fazer o meu desenho. É isso?
- O desenho não mas eu posso fazer muito mais pela senhora Dona Margarida. A senhora não tem interesse nos meus serviços de stripper não?
- Mas... Desculpa a minha ignorância meu filho. Mas o que é stripper? - com voz meio de sem graça.
- Ha ha ha ha - dei risadinha meio sacana - A senhora sabe aqueles rapazes que vão em festas e tiram a roupa Dona Margarida?
- Sei sim...
- A senhora lembra do clube das mulheres?
- Sei.
- Então... É algo desse tipo. A senhora não teria interesse não?
- Ah não meu filho... Não tenho não...
- Mas é um trabalho muito interessante Dona Margarida. Sei que a senhora iria gostar. Eu posso só começar tirando a roupa e depois nunca se sabe o que pode acontecer não é verdade?
- Eu sei... Mas não meu filho... Eu não tenho interesse não.
- Mas a senhora podia se juntar com umas amigas e fazer uma festinha, hein?
- Não... Acho que não.
- Se a senhora quiser eu posso mandar um convite pra senhora quando eu for fazer uma festinha pra senhora conhecer? Que tal?
- Que nada... Eu não tenho tempo pra festa não meu filho. Tem os meninos pra tomar conta, tem a obra aqui. O pedreiro ainda inventa de cair da escada hoje. Não tô tendo tempo nem de fazer o desenho no AutoCAD!!!
- Mas o meu serviço é muito mais prazeroso do que um desenho de AutoCAD!
- É eu imagino mas não quero não...
- Que pena. A senhora tem uma voz tão macia. Tão GOSTOSA! - Bem sacana. Hehehe!
- Tá bom... Mas eu vou indo. Mas vem cá... Você não conhece ninguem que faça desenho em AutoCAD não???

Hehehe! Quero ver se um dia essa mulher vai ligar procurando por Zé Roberto. Ela já sabe que Zé Roberto não faz desenho em AutoCAD...

February 13, 04:58 PM

Definitivamente o Brasil está com um pé no primeiro mundo!!!

Estava eu caminhando pelo Shopping Barra quando eu resolvo comprar um daqueles abridores de vinho bacanas porque o meu velho está empenado. Passo em algumas lojas de presentes mas não encontro o que quero. Me bato com aquela loja de importados. King Market é o nome se não me engano. Procurei o abridor mas não achei. Continuei pela loja e de repente me bato com ele. Sim caros amigos. Eu encontro o meu amigo velho de guerra o Fizz-Keeper! O guardador das bolhas do refrigerante. Aquele que garante a Coca-Cola de 2 litros até o fim!

Quem não lembra dele é melhor ler esse post antigo clicando aqui.

E não é que eu me bato novamente com esse apetrecho doméstico utilíssimo? Foi um momento de êxtase! O antigo ficou lá pela Inglaterra perdido em algum lugar. A partir daquele momento eu sabia que não ia mais jogar fora as minhas garrafas de 2 litros de Coca-Cola pela metade.

Catei ele e ví que era o Fizz-Keeper mesmo. O orignal. Igualzinho ao que eu tinha comprado na Inglaterra tempos atrás. Mas não foi só isso. Eu começo a olhar um pouco pra esquerda e o que eu vejo??? Fizz-Keeper 2: O Retorno! Imagine a minha emoção ao descobrir que existia o Fizz-Keeper 2! Agora com uma bombinha para injetar o ar e não aquela bolsa de apertar! Fantástico!

Poderia ser mais barato é verdade. Custou 20 reais. Mas ele se paga lá pela 5ª garrafa de Coca-Cola. Mas o importante mesmo é valor sentimental que é muito maior... E da série posts proféticos vejam que no post anterior eu falo em exportar o Fizz-Keeper pro Brasil por 20 reais. Acho que alguém teve a mesma idéia!



E da série coisas estranhas que a gente vê quando põe os pés fora de casa em Salvador...

Pra você que quer subir na vida mas não quer ser arremessado pra cima em uma explosão de carro-bomba no Iraque existe uma outra opção... Faça como esse figura aí que eu me bati ali no Rio Vermelho, suba na vida e veja tudo de cima...

February 13, 04:37 PM

Definitivamente o meu telefone direto aqui do trabalho é muito parecido com o telefone do setor financeiro da Minilab do Rio Vermelho. Não foi a primeira vez e pelo jeito nem a última. Hoje teve mais um trote por demanda para alguém a procura de serviços fotográficos:

- Alô
- Oi. Eu sou Suzana da Zoom e gostaria de falar com Silvana.
- Oi Suzana. É que a Silvana não está no momento mas será que eu poderia te ajudar?
- Será que você pode me ajudar...

Pronto... Pode deixar que eu vou te ajudar Suzaninha... Fique tranquila!

- Claro. Qual o seu problema? - Disse eu.
- Então. É que eu preciso pegar um cheque com vocês e eu queria saber se esse cheque vai estar pronto amanhã a tarde pra mandar o menino passar aí pra pegar.
- Pegar o cheque né? Sei... De quanto é o cheque mesmo Suzana?
- 150...

150 conto?! A Minilab fica segurando um cheque de 150 conto? Puta que o pariu!!!

- Ah tá! Pode passar amanhã sim... Você está pensando em vir que horas?
- No final da tarde.
- Certo. Mas... Suzana, você não quer passar aqui hoje não?
- Hoje? Não dá. Hoje não dá mais não...
- Tá bom... Então venha amanhã de manhã. No primeiro horário logo. Que acha?
- Hmmm... Pode ser sim. Pode ser. Eu vou mandar o menino aí pela manhã. Umas 10:30. Ele vai na rua umas 10h e eu mando ele aí umas 10 e meia.
- Tudo bem. Se quiser pode mandar até antes...
- Pode mesmo? De amanhã não vai passar mais não né?
- Não. Que é isso... Eu queria até pedir desculpa a você mas foi um imprevisto mesmo o que aconteceu. Amanhã de manhã você vai receber o seu cheque com certeza.
- Que ótimo. Como é seu nome mesmo?
- André.
- Posso então mandar o boy falar diretamente com você né André?
- Pode sim. Amanhã pela manhã estarei aqui também. Mande ele falar comigo ou com Silvana.
- Pronto... Perfeito! Agora André, deixa eu só confirmar o endereço aqui com vocês...

Vixe. E agora? Onde é que fica a Minilab? Sabe Deus...

- Qual o endereço que te passaram Suzana? - Sou menino?!
- Fica na Conselheiro Pedro Luiz, 510 no Rio Vermelho, não é isso?
- Exato. Rua Conselheiro Pedro Luiz, 510 no Rio Vermelho.
- Perto do Largo da Mariquita né?
- Exatamente. Perto do Largo da Mariquita.
- Ok então.

Mas eu achei q estava sendo bonzinho demais. Vamos complicar a trama...

- Mas Suzana... Esse é o endereço da loja! Pra pegar o cheque você tem que vir buscar aqui no Administrativo. Aqui em Lauro de Freitas - Uns 20km de diferença apenas. - Na Rua Ticiano Barbosa, 220.
- Nossa. Em Lauro de Freitas?
- É sim.
- Mas da outra vez ele foi pegar aí no Rio Vermelho.
- Pois é Suzana. É que estavam acontecendo uns problemas e agora só aqui no Administrativo mesmo.
- Que jeito?! Então o menino deve chegar aí quase 12h.
- Não tem problema. Eu deixo o cheque pronto.
- Então tudo bem. Mas tem uma placa Minilab grande? É tranquilo de achar?
- FA-CÍ-LI-MO! Tem uma placa enorme. É super fácil de achar. Ele vai encontrar rapidinho. Você vai ver! - Hehehehe!
- Tudo bem então. Amanhã eu mando o menino dar uma passada aí. Obrigada mais uma vez André. Só você que resolveu o meu problema. Tem uma semana que eu ligo direto pra aí e não conseguia resolver.
- Pode contar comigo dona Suzana. Sempre que precisar peça pra falar direto comigo.
- Ahhhh... Pode ter certeza que vou ligar direto pra você.
- Disponha...

Mais um cliente satisfeito...

Da próxima vez eu vou pedir o telefone da pessoa pra eu poder ligar depois e saber o que diabos realmente aconteceu... E mandar o menino ir em Lauro de Freitas de novo!!! Hehehe!


E aqui Sassá (vulgo Marceleza, também conhecido como Marcelo) se mela todo (e ao chão), no aniversário de Daniel, com um doce daqueles que tem uma uva dentro. Ao que parece a uva estava em estado líquido por que a meleira foi grande. Aline ainda tentou ajudar mas o estrago já estava feito...

   

Sem esquecer a frase da noite. Para a posteridade:

- Me xingue aí Marcelo!!!
- BOBO!

February 08, 09:45 PM

Sei que sou pobre mas sou "osado", como se diz aqui na Bahia. Posso não ter o dinheiro necessário para ter tudo que quero mas de vez em quando eu me dou ao luxo de ter um pouquinho.

Eu e Léa estamos passando por uma fase ultra-light. Nosso carrinho de compras no supermercado se resume a artigos que apodrecem em 1 semana. Incluem-se aí alfaces, cenouras, brócolis, frutas e outras coisas que só passarinho e urso panda comem.

A noite um dos pratos costumeiros é salada feita com essas "guloseimas". Acontece que a salada precisa de alguma coisa que dê "sustança", saca? Aí eu compro pra acompanhar kani, presunto defumado, salame, queijo, essas coisas.

E aí se encontram na historia a minha porção "ultra-light" com a minha porção "pobre osado". Estava eu paquerando a sessão de frios do supermercado procurando acompanhamentos para as minhas saladas noturnas. De repente me deparo com um queijo gorgonzola. Daqueles bem cremosos, cheio de furos e todo verdinho. Bem feio. Bem fedorento. Bem gostoso. Na hora me deu água na boca. Eu catei o queijo na mão e mostrei pra Léa:

- Olha pra isso amor que delicia...
- Argh! - Foi tudo que ela disse.
- Mas meu bem. É tão gostoso... Sente o cheiro aqui!
- Argh! Fede demais!
- Exato! QUanto mais fedorento mais gostoso!!! - O que é verdade...

Ela não tem noção do que está perdendo. Tudo isso porque o queijo tem cheiro de defunto em decomposição e a aparência lembra um ralo de banheiro cheio de limo??? Só por isso? Que bobagem!



Só porque os fabricantes injetam no queijo uma meia dúzia de bactérias e mais uma outra porção de fungos fedorentos??? Só por isso? Bobagem!!!

Se o homem desistisse de comer tudo que fosse feio e fedorento... Enfim... Deixa quieto. Eu estava pensando nas ostras mas talvez você não. Esquece. O que importa mesmo é que o queijo é gostoso (e a ostra e outras coisas também, enfim)...

E daí que eu me rendi aos meus impulsos consumistas e resolvi comprar o queijo... Não um queeeeeeeeeeijo. Nada disso. Uma fatiazinha bem fininha do que já deve ter sido um queijo gorgonzola. E da marca mais barata!!! Tinha queijo que era 50 reais o quilo, 55 reais o quilo. Acabei pagando 5 reais por uma fatiazinha do queijo mais barato. Mas nem por isso ruim...

Levei pra casa, preparei minha salada, adicionei um pouco de presunto defumado e uma fatiazinha mínima da fatiazinha pequena que eu tinha comprado. Não dá pra colocar muito queijo também senão você não sente o gosto de mais nada.

Insisti pra Léa comer um pedaço mas ela não dava o braço a torcer. Quase obriguei ela a comer 1 cubinho de 1 milimetro cubico do queijo e ela quase vomita no chão da cozinha. Léa ainda tem o ranso de pobre sabe? A pessoa pode ser pobre mas não pode ter o ranso de pobre!!! Mas isso é assunto pra outro capítulo.

Enfim... Comi minha super salada na janta e fui dormir feliz da vida já pensando no queijo que ia comer no dia seguinte.

Acordei e segui a rotina. Fui pro trabalho, dia cansativo, volto pra casa, fico alegre porque estava tudo limpinho que a empregada tinha ido arrumar a casa, tomo banho e vou na geladeira preparar minha salada já com água na boca.

Cato as folhas, legumes, presunto e procuro o queijo. Cadê o queijo? Cadê a porra do queijo?

- Léa? Cadê o queijo?
- Não sei. Procura direito.

E tome a procurar. Nada de achar o queijo.

Olho no congelador. Será que alguem colocou no congelador a porra do queijo? Achou que ele estava mole demais e colocou no congelador pra ele dar uma empedradazinha? Pra tomar com whiskey? Mas não. Nada do queijo no congelador. Cadê o queijo.

Começo a olhar nas gavetas do armario. Nada do queijo. De repente o que eu encontro? A vasilha plástica onde eu tinha colocado o queijo gorgonzola... Limpinha... Lavadinha... Cheirosinha!!! Nem sinal daquele fedor delicioso e daquele aspecto verde apodrecido maravilhoso da noite passada.

Foi Rosa, a empregada. Só pode ter sido Rosa que jogou meu queijo fora. PUTA QUE PARIU!!! Não é possível... Eu só tinha comido, no máximo, uns 50 centavos do queijo!!!

Só depois que eu entendi todo o contexto. Léa tinha pedido pra Rosa lavar a geladeira e olhar o que tinha apodrecendo nela porque estava com um cheiro ruim. Antes de Rosa chegar Léa viu que tinha um requeijão cremoso passado e jogou fora. Ligou pra Rosa e disse: "Rosa, achei o que estava ruim na geladeira". Mas Rosa já estava limpando a geladeira e se depara com o quê? Um queijo verde, fedorento e mole. Tá podre! Só pode estar podre! Mais do que podre o queijo está morto e não enterraram ainda. O que minha adorada empregada faz? Joga o queijo estragado no lixo.

Ainda não acreditando no acontecido liguei pra Rosa:

- Oi Ró. Tudo bom?
- Oi Tau. Tudo...
- Ró, vem cá... Eu comprei um queijo caríssimo ontem - já pra assustar - e não tô achando. Ele tava numa vasilha assim e assado. Você viu?

Silêncio...

- Queijo?
- Sim Ró...

Mais silêncio - Nessa hora ele deve estar pensando: Puta que pariu. Joguei o queijo fora!

- Ele tava podre Tau.
- Tava não Ró.
- Tava sim!
- Tava não Ró.
- Tava Tau. Ele tava verde e fedorento!
- É assim mesmo Ró.
- Não Tau. Tava podre. Chega estava molengo.
- É assim mesmo Rosa. Eu tinha comprado ontem.
- Ai meu Deus...

Meia hora de silêncio...

- Ô Tau. Me desculpe. É que eu achei que...
- Tudo bem Rosa. Era só pra ter certeza mesmo. Mas não joga mais nada fedorento fora não. Deixa que eu jogo...
- Tá bom Tau.
- Fica tranquila. Deixa lá. Tchau.
- Tchau...

E foi assim que aconteceu. Eu quase nunca me dou ao luxo de exagerar um pouquinho que seja. Quando faço vejam o que acontece...

Mas uma coisa eu tenho certeza: se aparecer na geladeira um tomate preto em decomposição Rosa não vai jogar fora neeeeeeeeem... Vai que é um tomate preto importado com cheiro de podre? Nunca se sabe...



Essa eu não podia de deixar de contar. Léa contou pra minha sogra, Dona Marie, sobre o acontecido e ela quase morre de asfixia de tanto rir... Hehehe! Tudo bem...

Dona Marie também gosta de gorgonzola e o acontecido parece que a deixou com vontade de comer um queijinho. O que ela fez? Comprou um pedaço. Maior do que o meu, provavelmente.

Dois dias depois do acontecido está Léa ao telefone com a mãe pelo Skype na hora da janta. A caixa de som estava ligada e de repente eu ouço;

- Sai daí YUPI! O queijo não YUPI!!! O GONGONZOLA NÃO YUPI!!!
- O que foi mãe???
- A YUPI acaba de comer o queijo gorgonzola inteiro que estava na mesa. Filha da puta!!!

Hehehehehe!!! Yupi é a cadela da casa da Léa. A julgar pela "osadia" da Yupi não sou só eu e Dona Marie na família que gostamos de queijo Gorgonzola!
February 13, 04:38 PM

Essa historia de passar "trote sob demanda" é sempre interessante quando liga alguem de telemarketing. Primeiro porque eles não fazem a menor ideia de com quem eles estão falando e segundo porque não importa o que você fale eles continuarão tentando te vender algo:

- Alô
- Olá. Gostaria de falar com o senhor Leovigildo(!).
- Pois não. É ele...

Pronto... Começou. Esse é o momento em que eu chamo todo mundo que está por perto pra ficar ouvindo o "trote sob demanda". Pelo menos a minha parte do trote...

E continua a menina com sotaque paulista e gentileza habituais de quem quer te empurrar algum produto:

- Senhor Leovigildo. Sabemos que o senhor tem um cartão internacional da bandeira Mastercard aqui com o Itaú Não-Sei-O-Quê e nós estamos lhe oferecendo um novo cartão GOLD!
- Ohhhhhhhhh! Tem ouro nesse cartão minha filha?
- Não senhor. O cartão Gold tem uma categoria melhor que o seu cartão internacional.
- Ahhhh... Tem a categoria tipo a do Robinho? É isso?
- Hahahaha! É sim! Igual a categoria do Robinho. Hahaha!
- Tá certo... Mas é que eu estou feliz com meu cartão Mastercard. Onde é que aceita esse cartão Gold minha filha?
- Não senhor. A bandeira vai continuar sendo Mastercard. A categoria do cartão é que vai ser melhor que a do seu atual. Ele é melhor que o internacional.
- Ah! Que ótimo. Muito obrigado minha filha. Tchau...
- Só um instante senhor. Para que isso aconteça é cobrado 10 reais a mais na sua anuidade.
- Ahhh... Nada é de graça nessa vida hein minha filha?
- Mas o primeiro ano o senhor não vai estar pagando essa diferença. - Começou essa historia de estar usando o gerundismo. Tava demorando.
- Excelente. E o meu limite vai aumentar também né?
- Não senhor. O seu limite continuará de 2.500 reais.
- Mas então porque eu vou pagar 10 reais a mais?
- Então (com "A" anasalado tipico de quem mora no interior paulista ou está passando por uma gripe). O senhor vai estar contando com um seguro internacional no valor de 250 mil dólares. O senhor vai também estar participando da promoção Num-Sei-Que-Num-Sei-Que-Lá onde o senhor vai estar concorrendo a 1 carro, 1 casa e 10 mil reais todos os meses durante 10 anos.
- Que maravilha.
- Também vai estar concorrendo a camisas de times de futebol do São Paulo, do Grêmio, do Santos...
- Ah! Eu quero uma camisa do Santos! Eu sou torcedor do Santos! Adoro o Robinho.
- Hahaha. Tem camisa do Real Madrid, do Chelsea, do Barcelona...
- Eu não gosto do Barcelona não minha filha. Tenho raiva do Ronaldinho Gaúcho.
- É verdade. - ela entrou no esquema - Eu também não gosto não do Barcelona não. Eu prefiro mil vezes o Real Madrid.
- Lógico! No Real Madrid tem o Robinho!
- É verdade. O senhor também irá estar concorrendo a flores para dar para sua esposa, por exemplo.
- Olha só! Isso é bom... Eu estou passando por uma fase difícil no meu casamento.
- Vejo aqui que o senhor tem um cartão adicional para Maria-Num-Sei-Quem.
- Minha mulher.
- Ela também vai estar ganhando um cartão Gold!
- Misericórdia. Agora que ela vai começar a estar gastando meu dinheiro todo mesmo. - Descontei na mesma moeda!
- Hahaha! Nós vamos estar passando a sua ligação para o setor de Num-Sei-Qual para que o senhor possar confirmar outros dados. Ok senhor Leovigildo?
- Tudo bem milha filha.

Depois disso eu resolvi desligar. Já não aguentava mais estar escutando aquele gerundismo.



Momento Cultural

Já que eu tô falando sobre a gramática resolvi compartilhar com vocês essa pérola da tradução que encontrei num cardápio de uma barraca lá em Barra do Jacuípe.

Tudo começou quando eu ví que estava tudo traduzido no melhor estilo Babelfish. A primeira palavra que me chamou atenção foi "tira-gosto". Muito bem traduzido como "take off-taste". Tá aí a foto que não me deixa mentir.

Pena que não estava com a câmera e teve que ser na base do celular-quebra-galho. Outra bacana é essa: Pequeno - Small; Medio - Medium; Grande - GREAT!

Nessa outra parte aqui "refrigerante" virou "cooling", "rosca de frutas" virou "thread of fruits" e a unica palavra traduzida corretamente foi Martini que virou Martini.

Nessa parte agora tem 3 traduções excelentes. A primeira é "bolinho de bacalhau" que virou "cookie of shrimp"!!! Ainda colocaram na linha errada o cookie de camarão. Enfim. Outra pérola é a "picanha na brasa" que virou "picanha in the live coal". E agora a minha preferida. A campeã: "carne do sol com fritas" que virou "meat of the sun with you fry"! Fritas. You fry. Sacou? Hehehe!

E o pior é que o infeliz nem foi no dicionario. Usou o Babelfish mesmo ou o Google Translator! Confiram que vocês verão que tudo bate com perfeição. E nenhum filho de Deus avisou ao cara que está tudo errado? Enfim... É tão divertido ler esse cardápio que não seria eu quem iria estragar a diversão dos próximo clientes.

Tudo no melhor estilho Falcão: "I'm not dog no, for live so humble".

February 08, 03:57 PM

Às vezes tem umas pessoas que ligam por engano pra receber o famoso "trote por demanda" mas não te dão muito papo pra você interagir, entende? Nessas horas eu tenho que inventar umas bobagens pra render o papo. Mas como a minha inteligência é limitada o que eu faço? Ao invés de discutir Nietzsche com o cidadão ou falar da sucessão ministerial eu acabo descambando para a escatologia...

- Alô.
- Alô. Gostaria de falar com o senhor Edvaldo.
- Opa! É ele.
- Oi senhor Edvaldo...

Pronto... O resto é lucro.

- ...é que o Solentino (!) avisou que já está indo pra aí.

Percebam que é só nome estranho que esse povo tem. Jesuis amado. Solentino deveria ser o nome do filho do Rubinho Barrichelo:

- Como é seu nome menino?
- Sôletinho...
- Puxou o pai...

Enfim... Voltando ao telefone.

- Quem é que tá falando?
- É Cineide. - To dizendo? Não existe nenhuma Marta, Ângela, José... Nunca! Nunca!
- Diga Cineide.
- É que o Solentino falou que já tá indo pra aí.
- Mas já???
- É. O senhor não falou que era até umas 5 horas? (Devia ser umas 4:50)
- Ah tá... Mas pera aí... Deixa eu falar com ele aí.
- Ele já tá na rua. O celular dele é 8822-56XX.
- Ele já tá na rua??? Mas ele vai demorar ainda?
- Eu não sei. O senhor pode ligar pra ele né?
- E ele tá aonde?
- Ele tá num condomínio em Brotas.
- É rapaz... Aí eu acho que vai demorar uma meia hora ainda. Quer saber? Ligue pra ele e diga pra deixar pra amanhã então. Manda ele vir aqui só amanhã que já ta tarde demais... Ele fica indo pra Brotas uma hora dessas!!!
- Ahhhhh! Mas aí o senhor fala com ele.

Como a conversa já ia acabar eu apelei:

- Ah minha filha... Mas eu tô numa emergência aqui. É. Eu tô quase me obrando aqui.
- Ai meu pai. Hehehehe! Mas o senhor liga depois então...
- Tá bom. Aliás, eu vou fazer o seguinte. Eu vou pegar o telefone sem fio e vou ligar pra ele enquanto eu estiver cagando, né?
- É. Faz como o senhor quiser. Hehehe!
- Tá bom. Tchau.

Desligou eu rindo de um lado, ela rindo do outro e a galera aqui do trabalho rindo também.

Pois é. Aceito sugestôes de assuntos pra puxar quando a conversa estiver pouco interessante. O que vocês sugerem? Ou segue com o papo escatológico mesmo?


Momento Quem Fez Nunca Usou

Você acha que o cara que instalou esse mictório já deu uma mijada nele???

Pois é. Nem eu...

Esse mictório está no banheiro do Tchê Picanhas da Boca do Rio. Quem passa na porta consegue ver qualquer detalhe, se é que vocês me entendem. Mesmo que não queira! A não ser que você seja esse cara aqui (clique aqui). Pensando bem... Se você fosse esse coitado não iam conseguir ver nem com binóculos.

February 13, 04:35 PM

Em julho passado aconteceu um show de Maria Rita aqui em Salvador. Na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. Comprei o ingresso com 4 semanas de antecedência. O show foi emocionante!
 
No dia do show eu estava em Feira de Santana. O show começaria às 18:30 se não me engano. Eu e Léa saímos de Feira às 16:30 para assistirmos o show. Estava tudo tranquilo pela estrada. Os passarinhos cantavam, as vaquinhas das fazendas que passavam mugiam e a viagem era tranquila. Era...
 
Faltavam uns 20 minutos pra chegar em Salvador quando começou a aventura. Começamos a ouvir um barulho estranho no carro. Algo parecido com um pino solto. Alguns segundos depois começamos a ouvir um barulho que parecia água fervendo. Nesse momento passa um carro e liga o pisca alerta dando o sinal pra gente. É nego veio... Alguma coisa aconteceu com o Uno...
 
Enquanto eu diminuia pra parar no acostamento, ao colocar o pé na embreagem, o carro morreu. Bom sinal... Paramos no acostamento. Nessa hora o vapor de água fervendo apareceu por debaixo do capô. Puta merda!
 
Estávamos no meio do nada. Perto do viaduto que vai pra Candeas se não me engano. Devia ser algo em torno de 17:15 ou pouco mais que isso...
 
Abri o capô e ví que o carro estava sem água. O infeliz do Uno não acendeu nem uma luzinha pra avisar que o carro estava esquentando. Miserável! Como não tinha aquele ponteiro marcando a temperatura não tinha como eu saber que o carro estava esquentando.
 
Voltei pra Léa e falei: Sabe aquele show de Maria Rita? Pois é... Esquece!
 
Por menor que fosse o problema não iria dar tempo. Continuei por sobre o capô aberto tentando identificar o vazamento que tinha derramado toda a água do radiador do carro. Lembro que eu mesmo tinha arriado a água do radiador pra colocar um aditivo. Pensei de cara que eu não tinha apertado aquela porra daquele mangote direito. Mas não... Ele estava lá firme. Continuei investigando e de repente eu me dou conta que o mangote de cima que recebe a água do radiador estava completamente solto! A abraçadeira estava mais folgada que o forevis do Deputado Clodovil.
 
Agora como aquela abraçadeira tinha se soltado eu não entendia. Muito tempo depois do acontecido fiquei sabendo que foi o mecânico do posto que eu pedi pra ajeitar num sei o quê que estava todo apressado e acabou esquecendo de apertar a abraçadeira. Puta que o pariu...
 
Aí então eu peguei uma chave de fenda no carro e apertei a abraçadeira. Tinha esperança que só precisaria colocar água e voltaria pra estrada. Restava saber onde eu iria achar a água.
 
O lugar em que eu parei era meio sinistro. Ficava no inicio de uma estrada de chão e do outro lado da BR tinha uma vila. Tinha um posto de gasolina relativamente perto porém do outro lado da rodovia. O dia começava a escurecer e eu parado, com Léa, no meio do nada.
 
As vezes passava uma pessoa ou outra por nós. Todos, lógico, mal encarados e com comportamentos estranhos como num bom filme de suspense.
 
A certa altura um cara aparece do meio do mato do canteiro central da BR e fica olhando pra mim e Léa. Eu estava com ela, de mãos dadas, para atravessar a estrada e ir buscar água no posto. Teria que deixar o carro lá sozinho mas enfim. O cara continuava lá parado no meio do mato. Eu achei que ele queria atravessar para seguir o caminho dele e estava esperando só os carros pararem. Teve uma hora que os carros pararam de passar e o cara ficou lá parado olhando pra gente. E eu de cá parado olhando pra ele. Depois de alguns instantes, eu fingindo que desconhecia que o cara estava ali na minha frente olhando pra gente, os carros pararam de passar mais uma vez. E o cara ficou lá parado e eu de cá parado. Eu não sabia o que fazer. Se ficava e esperava, se saia dali, se atravessava. Depois de mais alguns instantes para de novo o fluxo de carros. Eu fui pra cima do cara pra atravessar a estrada. Já cheguei falando com o cara como se nada estivesse acontecendo: "Opa. Tudo bom? Você sabe se tem algum mecânico ali no posto?". O cara me respondeu que tinha um senhor chamado Júlio mas que ele só mexia com caminhão e a oficina já estava fechada.
 
Acabei voltando pro lado onde o carro estava pra vigiar o carro. Achei que o cara estava só esperando eu sair dali pra tentar alguma coisa. Eu estava a uns 50 metros do carro e passa um outro mal-encarado pela gente de bicicleta. Quando ele passou pelo Uno ele praticamente parou a bicicleta e ficou olhando descaradamente pra dentro do carro procurando alguma coisa pra roubar, provavelmente.
 
Quando eu olho pra estradinha de terra que estava atrás vem um negão com o olho todo vermelho. Ele tava todo arrumado com aquela roupa-de-fim-de-semana-do-peão, sabe? Aquela única roupa que sai do guarda roupa todo domingo? Então... Quando ele chegou mais perto eu abordei ele perguntando onde eu poderia pegar água. Ele me disse que lá onde ele fica tinha água e apontou pra um galpão no meio do mato seguindo pela estradinha. Eu, de impulso, falei ok pra pegar água lá mas logo mudei de idéia. Entrar em direção ao mato com Léa do lado não fazia muito sentido. Quando eu olho pra trás estava atravessando a pista um frentista do posto. Deixei o cara lá e fui falar com o frentista. Perguntei a ele sobre o tal do Júlio e ele disse que a oficina ainda estava aberta. Ele me mostrou mais ou menos a direção e eu resolvi ir atrás de Júlio.
 
Cheguei no lugar e conversei com o tal Júlio. Um senhor de uns 50/60 anos. Expliquei a ele toda a situação e perguntei se ele não podia acompanhar a gente pra vê se tinha alguma coisa que ele pudesse fazer. Ele disse que só sabia mexer com caminhão.
 
- Mas será que se o senhor der uma olhada lá não vai poder ajudar a gente não?
- Eu não sei nada de carro pequeno.
- É que as vezes é uma coisa simples Seu Júlio. Pode ser que o senhor ajude.
- E o carro está onde?
- Do outro lado da pista.
- Você deixou o carro sozinho?
- Tive que deixar.
 
A cara de Júlio mudou...
 
- Então eu vou lá. Vamo logo senão não acha mais nada do carro.
 
Pronto. Eu que já estava nervoso fiquei apavorado. Eu tinha noção que a área não era muito boa mas não tinha a certeza ainda. E Júlio continuou:
 
- Essa área aqui é pobrema meu fio. Nego deixa o carro e quando volta não tem nem os parafuso. Teve uma vez que me pegaram aqui na oficina. Sete homi tudo armado de metralhadora me pegaram de refém pra assaltar o posto.
 
Essa hora foi foda... Comecei a pensar um monte de merda... Nem esperei Júlio. Enquanto ele fechava a porta da oficina dele eu fui na frente, na direção do posto, pra pegar a água e ir pro carro. Nesse momento já estava tudo escuro. Não tinha lua nem nada. Era escuridão mesmo.
 
Júlio trouxe meia dúzia de chaves de fenda e conseguiu uma lanterna pra gente chegar no lugar do carro. E Júlio continuava:
 
- Na hora que chegar tem que olhar nos mato. Eles fica tudo entocado nos mato esperando só o cidadão chegar pra pegar o que quer.
 
Nessa hora a minha carteira já estava dentro da cueca e o coração saindo pela boca. No meio do mato do canteiro central, na hora de atravessar a pista, eu peguei uma estaca grande de madeira no chão. Nunca se sabe né? E lá fui eu com o pau na mão (ui).
 
Seu Júlio chegou apontando a lanterna pro mato pra ver se via alguém e eu, com o pau na mão, fui pelo outro lado pra ver se tinha alguém mesmo.
 
Ninguém por perto fui colocar a água no radiador. Eu ainda tinha a esperança de que o carro fosse funcionar e eu iria pra casa. Mas nada aconteceu. O carro não pegava de jeito nenhum. Dava na chave, fazia que ia pegar mas não pegava. Era um pesadelo aquilo tudo. De noite, com Léa, no meio da estrada com o carro quebrado.
 
Os contatos por celular com meu pai eram constantes, claro. A gente tentava arrumar alguma solução. Falei pra ele que não ia ter jeito. Ele me disse que arrumou um guincho e que ele já estava a caminho. Disse que estava pegando um carro em Saubara (pertinho de Cabuçu) e que já estava vindo.
 
A ideia agora era tentar levar esse carro para o posto pra esperar o guincho. Mas como?
 
Júlio parecia com medo. Sempre falando das coisas que aconteciam ali e que a gente tinha que levar o carro pro posto. De vez em quando passava um ou outro pelo acostamento andando e a gente ficava em alerta.
 
Tentei fazer o carro pegar no tombo já que a gente estava numa descida mas nada funcionava. Júlio resolveu então buscar ajuda no posto. Alguém que pudesse ajudar a gente a empurrar o carro, atravessar a pista e voltar com o carro pro posto.
 
Essa hora foi difícil. Ficamos eu e Léa sós ali naquela escuridão. Pedi pra Léa ficar atenta a aproximação de qualquer pessoa. E lá foi Léa ficar com a lanterna apontando pro mato. E eu atento olhando pra tudo quanto é canto. Com o pau na mão, lógico!
 
Depois de alguns minutos, que pareceram horas, chega Júlio com mais um cara apenas. Um tal de "Marreco" que era motorista do posto. A gente queria descer com o carro pra um lugar onde tinha uma passagem no meio do mato pro outro lado. Mas era muita loucura! Devia ser 19/20 horas, nem lembro. Horário de pico na estrada com o pessoal voltando do interior pra Salvador. Não tinha nem espaço pra passar um carro funcionando normal imagine um carro sendo empurrado por 3 pessoas? Não tinha condições.
 
Outra coisa era a passagem no meio do mato. Passagem é elogio. Aquilo era um um buraco entre uma pista e outra. Tinha certeza que se o carro conseguisse chegar até ali seria muito mais difícil tirar ele daquele buraco e levar o carro pro outro lado da pista, no outro acostamento.
 
Como não tinha o que fazer ali Marreco foi embora. Disse que ia perguntar a num-sei-quem do posto se ele podia rebocar a gente com o caminhão-tanque e deixar a gente no posto.
 
Toda hora Júlio falava de uma tal de Neguinho que morava na vila do outro lado da pista que tinha uma Fiorino que podia ajudar a gente. E nada desse Neguinho aparecer.
 
Lá pelas tantas me aparece aquele negão que chegou com a roupa de fim de semana e me ofereceu água pro carro. Ele veio em direção da gente e tentou falar mas tava bebo bebo... Eu vi que Júlio ficou desconfiado do cara. E ele lá dizendo que se quisesse ajuda e tal ele tava ali pra ajudar. E depois ficou por lá falando nada com nada. Que nem aquele cara que caiu de uma espaçonave em Paracatú e saiu batendo e batendo.
 
Léa nessa hora estava dentro do carro e eu estava com Júlio um pouco mais a frente "conversando" com esse cara mas querendo que ele fosse mesmo era embora dali.
 
Eu ficava olhando o cara pra ver se ele ia tentar fazer alguma coisa. Fiquei olhando pra cintura dele pra ver se tinha alguma arma escondida ou algo do tipo. Ele tinha uma pochete e eu ficava tentando ver se tinha alguma coisa dentro daquela pochete.
 
Depois de um tempinho fui falar com Léa e ela estava acuada no carro com uma chave de fenda na mão. Achei graça e fiquei com pena ao mesmo tempo. Acabei que eu peguei a chave de fenda da mão dela e coloquei no bolso. Ela pegou uma outra e ficou na mão novamente.
 
Daqui a pouco o cara volta pra vila do outro lado da estrada. Se ele volta pra casa dele eu ficava tranquilo mas ele voltou pra vila. Júlio começou a falar que conhecia todo mundo da área mas não conhecia esse cara. Fiquei com medo desse cara voltar com alguém de lá.
 
Resolvi mais uma vez tentar ligar o carro pra levar ele pro posto de gasolina. Depois de quase arrear a bateria e a muito custo o carro pegou. O motor estava todo estranho mas pegou. Olhei pra trás e saia muita fumaça da descarga. Vi logo que o carro não ia ficar ligado muito tempo. Nesse exato momento aparece de novo o cara que tinha ido pra vila. Dessa vez com mais outros três.
 
Eu pensei: É agora! Vai ser agora. Os caras vão querer levar tudo da gente e não sei mais o que pode acontecer.
 
Falei pra Júlio entrar no carro mas ele não quis. Comecei a dar ré com o carro com medo sem saber exatamente o que eu iria fazer. Os caras atravessaram a pista e foram pra junto de Júlio. Léa queria que eu fosse acudir Júlio que estava no meio de quatro caras mas eu disse que eles não iam querer fazer nada com Júlio. O que Júlio teria a oferecer?
 
Nessa momento pararam de passar os carros na pista e eu decidi atravessar para o outro lado pelo meio daquele buraco. Eu não parava de acelerar o carro senão ele morria. Rotação lá em cima. O motor estava embolando demais. Quando eu fui atravessar chegou mais um cara numa bicicleta. Tive quase que parar o carro no meio da pista mas consegui chegar no meio do caminho. Como tive que frear o carro morreu. Pensei: "Fudeu! Não vai pegar mais". Bati na chave e o carro pegou de novo. Do outro lado da pista os carros também pararam por um instante e eu atravessei. Comecei a andar pelo acostamento e consegui chegar no posto. O carro soltava tanta fumaça que parecia um trem!
 
Quando parei o carro num lugar mais seguro fiquei mais tranquilo. Não imaginava que os caras viessem tentar algo na área do posto. Esperamos um pouco e Julio veio chegando com o cara bêbado. Quando eles chegaram o cara deu uma de desentendido perguntando se o posto estava aberto ou algo do tipo. Acabou que ele foi embora. Ficamos mais tranquilos.
 
Olhei o óleo do motor e ví que a água tinha passado pro óleo. Problema! Agradecemos uma meia centena de vezes a Julio e dei um dinheirinho pra ele mesmo a contra-gosto dele.
 
Enquanto o guincho não chega a gente ficou dentro do carro no posto. O posto estava todo apagado. Num canto escuro o vigia do posto. De vez em quando aparecia um carro ou outro tentando abastecer e Léa ficava meio cabreira. Mas nada demais. Lá pelas 21:30, muito tempo depois, chega o guincho. Pronto. Estamos salvos. Será? Quem dera...
 
O guincho já vinha com uma D20 na parte de cima e o Uno iria na "Asa Delta": aquela parte detrás que levanta somente as duas rodas da frente. Na boléia já estavam o dono da D20 e a mãe dele. Então a gente teria que ir no Uno mesmo. Como o Uno estava meio torto porque estava suspenso a gente preferiu ir na D20, na parte de cima. O cara disse que tudo bem então começamos a viagem de volta.
 
Durante a viagem, passado o susto, a gente veio conversando se dava pra trocar o carro. Tudo na vida é questão de prioridade, fato. Então ficou acertado que a gente ia deixar de lado a alimentação e o aluguel pra trocar de carro.
 
A gente já tinha mais de meia hora de viagem. De repente a gente começa a ouvir umas vozes de crianças atrás da gente conversando baixinho. Parecia aqueles filmes de terror japonês, saca? O Chamado? O Grito? Puta susto do caralho!!! Que porra era aquela? Uma D20 mal-assombrada?! Eu e Léa quase morremos do coração... mais uma vez! Na verdade vinham no banco de trás, deitadas, três crianças que estavam dormindo o tempo todo! E ninguém avisou a gente!!! Puta que os pariu!!!
 
Até aí nada demais. A ventura continua agora... Quando a gente estava a uns 10 quilômetros de Feira... BUUUM! Um estouro enorme aconteceu. Pensei: O UNO! A porra do Uno deve ter se soltado e saiu da pista. Acabou o carro todo!
 
Mas eu senti que o guincho pendeu pro lado direito. Pensei então que fosse o pneu. O motorista começou a jogar o guincho pro acostamento e eu, no desespero, abri a porta da D20 com o guincho ainda em movimento pra ver se o Uno ainda estava lá atrás. E tentava olhar o Uno e não conseguia. Como estava escuro eu vi as luzes do pisca alerta e fiquei mais tranquilo. Era só o pneu então. "O" não... "Os"! Quando a gente desceu do carro foi que eu vi os dois pneus estourados. Brincadeira isso... Que mandinga miserável...
 
O motorista começou a trocar o pneu mas pra melhorar essa história só tinha um estepe! Ótimo! Como trocar pneu de caminhão não é trocar pneu de carro a gente só voltou pra pista uma meia hora depois e com um pneu a menos. O motorista estava com medo de voltar com um pneu só do lado direito e por isso ele voltou a 10km/h. Literalmente. Era inacreditável! Os 10 quilômetros restantes demoraram exatamente 1 hora!!! Puta que pariu.

Aqui uma quase foto do cara trocando o pneu do guincho com a ajuda da luz do celular...

 

 E aqui a gente parado no acostamento...


 
Quando a gente tava chegando o motorista perguntou se não tinha problema deixar a gente em algum lugar enquanto levava a D20 pra ele poder andar mais rápido. Eu disse que não tinha problema. Achei que a gente iria ficar em algum posto 24h ou algo do tipo. Já deveria ser umas 23h.
 
Quando chegou na Avenida João Durval o infeliz parou o guincho. A avenida é movimentada, tem bastante carro passando de um lado pra outro mas eu chiei:
 
- Não meu amigo. Leve a gente pra outro lugar.
- Aqui é tranquilo... Eu vou e volto rápido.
 
Eu relutei um pouco mas olhei pra avenida e estava bem movimentada ainda. Perguntei a Léa e ela disse que tudo bem. Já que não ia demorar muito... Eu resolvi então ficar por ali mesmo... Pra quê meu amigo... Foi o cara largar a gente e sumir na avenida que parou de passar carro. Aquilo virou um deserto!!! Só eu e Léa. Puta merda. Que estúpido eu fui... Parado, DE NOVO, no meio da rua.
 
Ficamos eu e Léa... Parados... Esperando... Daqui a pouco passa um cara mal encarado pela gente. Nada demais... Mais tarde passa outro mal vestido olhando a gente... Nada demais... Uma hora para um carro na nossa frente... Puta merda... E a gente dentro do carro, esperando... O carro segue o caminho dele. Nada demais...
 
Mas aí acontece o que a gente mais tinha medo... De repente Léa olha pra trás do carro e grita nervosa: Ai Meu Deus! Eu senti que ela estava tensa mesmo. Fechei minha janela rápido e falei pra ela: Me dá o celular!
 
Ela catou o celular apressada na bolsa e me deu. Eu nem olhei o que estava vindo em nossa direção que assustou tanto ela mas eu sabia que coisa boa não era. Pensei que deveria ligar pra meu pai e dizer que a gente estava sendo assaltado no lugar tal. E esperar pra ver o que aconteceria...
 
Peguei o celular, destravei, selecionei o nome de meu pai e antes de apertar o botão verde passam 3 caras de bicicleta colados na minha janela. O cara mais próximo chegou rápido e soltou a bicicleta no chão ainda em movimento exatamente em frente ao carro, como se quisesse pegar a gente de surpresa. Ele larga a bicicleta no chão e começa a andar pra frente, na direção contrária onde estávamos, e coloca a mão direita na altura da cintura como se fosse pegar uma arma na parte da frente.
 
Pela segunda vez no dia eu pensei: É AGORA! O cara vai virar com um 38 na mão e sabe Deus o que vai acontecer... Entreguei a Deus naquele momento.
 
O cara continuou andando pra frente com a mão na altura da cintura e eu só esperava a hora que ele ia virar... Mas aí ele continuou andando pra frente e pra frente... E começou a se aproximar do muro. E O FILHO DA PUTA COMEÇOU A MIJAR NO MURO!!! PUTA QUE PARIU!!! Precisava de toda aquela palhaçada pro cara mijar? Que filho da puta! Vai matar sua mãe de susto seu miserável. Depois disso ele levantou a bicicleta e seguiu com os amigos que ficaram esperando ele acabar o serviço. É mole? 
 
Depois de limpar o banco do carro que ficou sujo de merda o cara do guincho apareceu de novo... E lá vem o processo... Coloca o carro em cima do guincho novamente, amarra tudo, a gente entra na boleia do caminhão e seguimos caminho. Chegamos no posto meia noite onde meu pai me esperava desde umas 21 horas. Deixamos o carro lá mesmo pro mecânico dar uma olhada na manhã seguinte e seguimos pra casa. Chegamos em casa meia noite e meia e fomos dormir uma da manhã pra acordar no outro dia cedo pra ainda pegar o trampo em Salvador...
 
Agora acabou, você deve estar pensando... Engana-se! É a aventura que não tem fim...
 
Depois de quase não dormir a noite acordamos bem cedinho pra viajar. Eu iria no carro de minha mãe enquanto o meu ia ser consertado. Na noite anterior minha mãe tinha falado que o carro dela estava "falhando um pouquinho". Mas eu nem dei muita bola pelo jeito que ela falou... Deve ser um probleminha de nada, pensei. Já viu onde isso vai dar né?
 
Pois bem. Fomos eu, Léa e Camila pra Salvador. Parei num posto de estrada pra olhar a calibragem dos pneus. Depois de calibrar os pneus bati na chave pra ligar o carro. Quem disse que o carro ligou? A bateria não dava nem na chave... Puta merda... Lá fui eu pedir pros frentistas me ajudarem a colocar o carro pra pegar no tombo.
 
Continuamos a viagem já com o sinal de alerta ligado de quem estava com a adrenalina no sangue por umas 18 horas seguidas! Lá pelas tantas o carro faz um barulho estranhíssimo no motor. A mesma história novamente... Numa breve consulta às meninas resolvi parar o carro pra ver se estava tudo ok. Eu estava com medo que fosse a correia dentada (ou dentária como os mecânicos falam. Hehehe!). No fim não era vi nada e resolvemos seguir viagem mesmo assim. Ou vai ou racha... Liguei o carro e... quem disse? Nada de bateria. E agora pro carro pegar no tombo sem os frentistas? Ensinei mais ou menos a Léa como era o precesso e lá fomos Camila, de tamancos, e eu pra empurrar o carro... Empurramos umas 3 vezes e nada do carro pegar. Eu já estava exausto de levar o carro de um lado pro outro num pequeno trecho de encostamento útil à beira da BR-324.
 
Nesse momento me para um caminhoneiro bom samaritano pra ajudar. Falei que só precisava empurrar. Ele já chegou empolgado querendo rebocar a gente mas não precisava. Eu peguei o volante e ele deu uma empurrada. Felizmente pegou de primeira, eu agradeci ele e fui embora...
 
Quando cheguei em Salvador foi que eu lembrei da frase de minha mâe: "o carro está falhando um pouquinho". O problema não seria grande coisa. O que estava acontecendo é que em baixa rotação o carro morria. Nada demais. Liga ele de novo e pronto. O problema é que a bateria tinha ido pro saco! E agora? Cada sinal de trânsito era um pesadelo. Eu ia freando o carro na reduzida, freio de mão e sempre deixando a rotação alta. Haaaaja coração amigo.
 
Depois de deixar uns e outros em seus devidos lugares fui comprar outra bateria. O cara viu que o problema não era a bateria e eu deixei pra resolver isso depois. Cheguei no trabalho 11 horas da manhã. Pelo menos deixei o carro na ladeira caso acontecesse alguma coisa...
 
Só pra terminar com chave de ouro a aventura, no outro dia, quando eu ia pro trabalho eu chego na garagem e o carro com o pneu vazio. Puta merda! Trocar pneu 7 da manhã é foda! Abri a mala do carro e peguei o pneu socorro. Quando coloco o pneu no chão... o pneu socorro também estava furado. INACREDITÁVEL!!!
 
Depois disso eu segui o conselho de meu pai. Tomei um banho de sal grosso, tomei um passe, comunguei na missa e tomei um banho de pipoca no terreiro. SAI PRA LÁ!!!

E o Uno? O Uno se transformou num Corsa e 2 anos de dívida...

February 13, 04:39 PM

Estou eu aqui na santa paz do meu trabalho... O ramal do meu colega que está viajando recebe uma ligação externa e eu deixo tocar até ele desistir. Dois minutos depois o telefone toca novamente. Resolvo atender:

- Alô!
- Oi! - Fala o cara com voz apressada - Eu queria falar com Dario. É Gilson.
- Oi Gilson. Diga aê. - Já emendei rápido.
- Oi Seu Dario.

Pronto... Se o cara começou a falar comigo como se fosse o tal do Dario já era... Continuemos:

- Diga aí Gilson. Quer o quê?
- Eu tava ligando pra falar até com sua esposa.

Nesse momento eu pensei em fazer o papel de marido desconfiado. Perguntar o que ele queria falar com minha esposa e tal...

- Com minha esposa? Tá querendo falar o quê com minha esposa? - Falei meio desconfiado.
- Não... Mas já que o senhor está aí eu falo logo com o senhor mesmo.
- Ah bom!
- Então. É que a gente tinha marcado d'eu chegar aí 9 horas mas é que Zé Geraldo foi levar a caçamba em Cajazeiras e a gente vai atrasar um pouco.

Agora eu entendi. O cara ia fazer algum serviço em minha casa. Comecei a dar uma de bravo pra cima do Gilson por causa do atraso.

- Porra Gilson. E vai chegar que horas então?
- A gente chega no máximo 10:30.
- 10:30!!! Porra Gilson! Não tinha marcado 9 horas?
- Mas é que Zé Geraldo atrasou pra levar a areia pra não sei quem - o cara falava rápido demais - e a gente deve chegar 10:30.
- Aí você me quebrou. Qual o mais cedo que você pode chegar aqui?
- Eu vou ver se ligo pra Zé pra...
- Pera aí Gilson. Quer saber de uma? Faz o seguinte... Você pode vir aqui a tarde? Umas 14 horas?
- Posso sim.
- 14 horas não. Chegue aqui logo umas 15 horas por que eu vou tirar um cochilo depois do almoço... Você pode chegar aqui 15 horas?
- Oxe! Pra mim ta beleza. Deixa pra 15 horas então.
- Fica certo então né?
- Tá filé...
- Abraço. Até mais tarde.
- Até mais...

Coitado do Gilson. Vai chegar 3 horas da tarde na casa do tal Dario dizendo que conversou com o próprio cidadão e que ele que pediu... Tsc tsc tsc...

February 13, 05:02 PM

Hoje no início da manhã, quando eu estava indo para o trabalho, no fim do Dique no sentido Piedade estava eu parado no sinal. Na Santa Paz de Deus, distraído, pensando na vida. Pensando na banha de Ronaldo, nos 6 a 0 que a Argentina deu, no jogo do Brasil com o Japão amanhã e tal...

De repente chega um carro do meu lado travando as rodas, fazendo muito barulho. Achei estranho aquilo porque eu não era o primeiro da fila no sinal. Tinha ainda bastante espaço pro cara frear o carro devagar até chegar o sinal.

Quando eu levanto a cabeça e olho pro lado era uma Meriva da PM. Saíram 5 PMs de dentro do carro já com as armas na mão. Pistola, fuzil, escopeta e o caralho (lá ele). Do meu lado!!! Porta com porta!!!

Pensei: Lascou! Me confundiram com alguém. Logo eu com essa minha cara de Brad Pitt fui confundido com algum bandido?

Mas aí eu percebi que os caras estavam apontando as armas pra alguém que estava atrás de mim (lé ele distante). Menos mal, pensei. O parangolé é lá pra trás. Mas 1 segundo depois vi que dois PMs-filhos-duma-mãe resolveram passar pala frente do meu carro apontando as armas pro tal cara que estava chegando ainda... Quer dizer, num espaço de 5 segundos eu saí da Paz do Nosso Senhor Jesus Cristo para ficar no meio de um possível fogo cruzado com 2 PMs na minha frente apontando as armas em minha direção.

Tive que apertar a cabeça da puebla pra não me mijar ali mesmo. Estava me sentindo igual aos reféns de Counter Strike.

Pensei: É agora meu irmão. O bicho vai pegar é agora! E se eu morrer aqui no meio dessa porra? Como é que Léa vai pagar a geladeira, o colchão, a mesa!!! Centenas de reais de dívida pra coitada...

Mas aí uns 3 segundos depois os PMs começaram a ir pra cima de um motoqueiro. O motoqueiro viu que a parada era com ele e levantou o bracinho timidamente. Aí os PMs começaram a bater um papo alto nível com o motoqueiro:

- Encosta a moto aqui seu vagabundo!

- Sobe aqui na calçada seu meliante!

- Deita no chão seu marginal!

O motoqueiro estava com um suéter e vi que tinha algo na barriga dele por debaixo da roupa. Talvez ele tenha roubado algo, não sei.

Daí o sinal abriu e os carros começaram a andar. Eu ainda segurei um pouco pra ver que diabos ia acontecer mas não deu. Pelo retrovisor deu pra ver o motoqueiro no chão e cinco canos de armas apontando pra ele.

E eu que estava meio sonolento acordei de vez! Belo jeito de começar o dia...

February 08, 09:38 PM

Sempre que a oportunidade surge, eu estou passando um trote ou outro mas nunca perco tempo ligando pra ninguém... Eu nunca pego o telefone e disco um número aleatório pra passar um trote tipo o Bart Simpson, entende? Aí você me pergunta: Como é então que você passa trote sem ligar pra ninguém?

Aí é que está a graça! Existem milhares de pessoas no mundo loucas para caírem em algum trote. É fato...

Isso começou uns 15 anos atrás. Lembro como hoje...

- Alô. - Eu disse
- Oi. Dona Ofélia está?

E eu de súbito falei:

- Ôôôô... A senhora não soube não? Tá todo mundo no enterro dela.

Depois disso eu só ouvi um longo tuuuuuuuuuuuuuuuuuuu de telefone desligado...

Peguei pesado eu sei... Mas aquilo foi engraçado no fim das contas. Mas me arrependi depois. Acabei falando pra mim: Você é mais inteligente que isso. Invente umas histórias melhores...

E por aí foi... Cada vez que insistiam em ligar por engano pra minha casa, trabalho ou celular eu inventava uma história melhor e as conversas às vezes duravam alguns dias, acreditem.

Existem várias histórias que eu poderia pra contar. Teve a mulher que ia instalar não sei o que em alguma loja do Iguatemi e alguém não deixava ela instalar não sei porque e eu, como chefe dela, fiz ela instalar aquilo lá por cima da autoridade do cara da loja.

Teve a festa que eu organizei com não sei quantos barris de chopp da Nova Skin depois que uma mulher ligou pela 3ª vez. Eu fui um vendedor da Nova Skin nessa história.

Teve o caso da minha suposta namorada que ligou pro meu celular pra combinar uma saída à noite no Pelourinho e queria que eu armasse um suposto amigo meu com uma amiga dela.

Teve um cara em São Paulo que ligava várias vezes procurando um tal de Vinícius e a gente sempre dizia que era engano até o dia que eu bati altos papos sobre a festa do dia anterior onde eu (Vinícius) e ele estávamos. Surreal!

São muitas as histórias...

Mas o que aconteceu durante essa semana merece uma menção honrosa.

Toda hora ligava uma menina lá pra casa pra falar com uma tal de uma Bruna. E eu dizia:

- Alô.
- Eu queria falar com a Bruna.
- Você ligou errado.

E ela:

- Ah tá! Desculpa.

Cinco minutos depois:

- Alô.
- Eu queria falar com a Bruna.
- Você ligou errado DE NOVO!
- Ah tá! Desculpa.

Ela ligava sempre!!! Ou ela anotou o número errado ou a tal da Bruna deu o número errado pra ela.

Outro dia lá estava eu na santa paz de Deus e o telefone toca:

- Alô.
- Eu queria falar com a Bruna.
- De novo filha? Você ligou errado!
- Ah tá! Desculpa.

Ela não desistia. Incansável!!! Eu acho que ela ficava digitando os números com cuidado pra ver se não tinha errado algum e ficava trocando de telefone público (a coitada ligava de um telefone público), pra tentar conseguir falar com a tal Bruna.

E dez minutos depois ela de novo...

- Alô. - eu disse.
- Eu queria falar com a Bruna.

PUTA QUE PARIU! Se fosse o Bruno eu ia começar uma conversa longa com essa menina mas era a Bruna e não dava pra afinar a voz. Como Léa já conhece todos esses trotes eu aproveitei e entreguei o telefone pra ela e disse:

- Ela quer falar com Bruna. Toma!

Mas Léa, em meio a risadas, não topou. Aí eu mandei:

- Olha. É que ela tá no banheiro agora.

E ela:

- Ah tá bom. Obrigada.

E desligou. Que pena... Se ela estivesse procurando o Bruno tenho certeza que a conversa renderia.

Mas dez minutos depois o telefone toca de novo:

- Alô.
- Oi. A Bruna já saiu do banho?
- Oi. Então... É que ela tá cagando! - a menina começou a rir do outro lado - Ela tá de caganeira a coitada.
- Vixe! - ela ria - Tá bom então. Tchau.
- Tchau.

Eu já tinha me dado por satisfeito. Tava rindo com Léa e voltei para o que eu estava fazendo.

E não é que 10 minutos depois a incansável liga de novo?

- Alô. - Já com aquela voz de PUTA-QUE-PARIU-não-é-possível-que-seja-aquela-menina-de-novo!
- Oi. A Bruna já saiu?
- Iiiiiiihhh... Ela teve que ir pro hospital por causa da diarréia.
- Nossa. É grave então.
- É sim. Essa virose tá pegando todo mundo.
- Ela tá com o celular?
- Acho que tá sim. Liga pra ela.
- Tá bom. Tchau.
- Tchau.

Depois disso eu fiquei imaginando ela ligando pra tal Bruna e perguntando se a caganeira já estava melhor. Hehehe!

Um dia se passou. Eu estava na santa paz lá no meu canto e no horário de sempre vocês já imaginam quem telefonou pra mim. Nesse dia eu tava de mau-humor:

- Alô.
- Eu queria falar com a Bruna.
- Não tem nenhuma Bruna aqui não. Você ligou errado.
- Desculpa então.

Pronto. Agora ela desiste! - Pensei.

Outro dia se passou e a infeliz liga mais uma vez. Ela é mais insistente que o Enéas!!!

Dessa vez Léa atendeu e passou pra mim:

- Toma. Quer falar com a Bruna!
- Santo Deus da ignorância aguda meu pai... Não é possível!!!

Peguei o telefone e mandei:

- Alô.
- Oi. Queria falar com a Bruna.

E eu sem paciência:

- Minha querida. Esse número não é o da Bruna. Você ligou errado! E-R-R-A-D-O!
- Ah tá. Desculpa!

Não deu 5 minutos adivinha quem liga?

- Alô. - atendi.
- Oi. Eu queria falar com a Bruna.
- Ôôôô queridinha... Aqui não tem nenhuma Bruna não...

Eu já tinha jogado a toalha. Desisti de enganar a pobre coitada. Mas de repente eu resolvi sacanear. Pra ver se ela se toca e deixa de ser burra. E continuei...

- Aqui é a casa do BrunO! Com "O"! Entende?
- A Bruna não trabalha aí?

Quando eu vi que ela ia continuar a ligar todo dia como de costume eu tentei pelo menos aumentar o período entre as ligações dela:

- Então "desprovida" - eu achei que desprovida era um bom apelido pra ela - é que a Bruna só trabalha aqui de mês em mês. Ela volta mês que vem só.
- Ahhhhh!!! Então não é essa Bruna não.

GRAçAS A DEUS ELA SE DEU CONTA SENHOR - Eu pensei... E ela:

- A Bruna que eu quero falar mora no trabalho.

Aí eu disse:

- Então "desprovida"... Esse número que você está ligando não é o da SUA Bruna, entendeu?
- Mas ela me deu esse número!
- Eu sei "acéfala"... Eu sei disso. Mas ela provavelmente se enganou.
- Não!!! Mas eu liguei uma vez e ela tinha até ido pro hospital! É esse número sim!

Pronto... Eu disse que a outra estava no hospital... Fudeu... Vai ligar a vida inteira pra mim... Aí eu falei...

- Mas filha... Deve ser outra Bruna não é não? É OUTRA BRUNA!!!

E ela:

- Outra Bruna?

Aí eu falei:

- É! É que a mãe dela é Japonesa!!! O nome dela é Ôtabruna!

Hehehehehe! Léa começou a se estatalar de tanto rir e eu quase não conseguia mais continuar a conversa.

Aí a descerebrada finalmente falou:

- Ahhh! Não é a mesma não... Essa Bruna que eu tô falando a mãe morreu!
- Ah coitada! E ela tá bem?

E ela respondia:

- Não menino. Não morreu agora não. Tem tempo já.

E eu:

- Ahhh... Menos mal então. Manda meus sentimentos pra ela então quando você conseguir falar com ela ok?

Faz dois dias que ela não me liga...

February 13, 04:42 PM

Meus queridíssimos amigos Romildo e Flávia irão sacramentar a união num futuro bem próximo e por isso fomos bebemorar no Café Cancun. Fomos todos lá pra jogar umas tequilas na mente e esquecer dos problemas mundanos... Como diria Renato Fechini: ô vô bebê pa isquecê meus pobrema ôôô. Bebe negão...









Tava tudo muito tranquilo, aquele clima de confraternização e tal. Quando o negócio começou a esquentar na boite Flávia e Romildo foram tomar umas tequilas com os tequileiros. Pra inaugurar a putaria por assim dizer. Ela se agarrou num cara grandão que colocou a cabeça dela na altura peniana se é que vocês me entendem. Ele se agarrou com uma negona estilosa que colocou a cabeça dele na altura peitoriana se é que vocês me entendem também. Jogaram a cabeça pra trás, abriram a boca e tome tequila pra dentro... Depois de engolirem aquilo a seco receberam uma bela sacudida de 5 minutos na cabeça acompanhada de um apitaço... Eu que não tinha bebido nada ainda já fiquei tonto com aquela sacudida e aquela zuada.





Nesse momento eu senti que Romildo estava a fim de afogar as mágoas na tequila. Depois dessa ele me veio com uma roska de kiwi com tangerina. Era a tal roska Brasil Campeão. Veja a porra...

Nesse meio tempo quem eu vejo na área VIP? Tati Quebra-Barraco se requebrando... Ela deu até uma canjinha depois. Eu dei um tchauzinho praquela fofura linda...





A música tava rolando e organizaram uma dança das cadeiras com o pessoal. Quem foi pra brincadeira? Flávia... Depois de sentar em 3 colos de homens diferentes tentando sentar na cadeira ela conseguiu chegar em 2º lugar. Quem chega em 2º tem que pagar um mico e ela ficou dançando no meio da boite pra todo mundo ver durantes uns minutos. Acho que isso inclusive motivou mais ainda Romildo a se entregar à mardita.



Pra não ficar são nesse mundo de bêbados eu falei com Rafael pra trazer 3 tequilas: uma pra mim, uma pra ele e uma pro noivo. Pra bebemorar, festejar, celebrar. Mas vejam o que aconteceu...

Fui chamar Romildo depois que chegaram as tequilas. Ele chegou todo sorridente ainda tentando esquecer Flávia se requebrando até o chão no meio do Café Cancun. Quando ele chegou que viu as três tequilas ele disse:

- As três não dá não. Deixa uma pra Flávia!

E Rafael logo disse:

- Tá bom! Só duas então...

Miserável! Era pra ele tomar com a gente! Ele entendeu tudo errado ou queria tirar da mente a cena de Flávia se mexendo ao som de Atoladinha pra todo mundo ver.

E eu dizia pra Rafael:

- Man, ele não vai aguentar isso tudo não. Daqui a pouco ele vai estar às quedas.

E Rafa:

- Que nada rapaz... É só hoje!!!

Veja a porra!!! E não é que Romildo tomou as duas? De vez! Uma atrás da outra! Ta aí as fotos que não me deixam mentir...





Pronto... Romildo a partir daí tinha virado uma outra pessoa. Já não era mais o Ronzinho que o povo constuma ver andando por aí pacatamente nas ruas de Salvador. Eu acho que ele queria dar o troco em Flávia que ficou dançando Piririm Pom Pom no meio do salão e começou a quebrar todas no Café Cancun. Não passava uma menina que Romildo não mexesse. Eu falava:

- Rapaz... Olha Flávia aí...

E ele:

- PORRA NENHUMA!!! Flávia só daqui a uma semana!

Eu disse tá certo... Vou dizer o quê? Deixa lá...

Daqui a pouco Rafael pede mais três tequilas. Eu disse pra Romildo:

- Rapaz... Não beba mais!!!

E ele:

- PORRA NENHUMA!!! Vou tomar todas!

Eu disse tá certo... Vou dizer o quê? Deixa lá...

Tomei uma, Rafael outra e Romildo a última. Depois disso não prestou.

Pra testar o estado de sangue no álcool que corria nas veias de Romildo eu pedi pra ele fazer o quatro com as pernas. Não fez. Tentou umas três vezes mas não conseguiu não. Banbeava pra frente, caia pra trás. Desisti de pedir... Pedi agora pra ele tampar um dos olhos e tentar acertar o meu dedo indicador com o dedo indicador dele. Falei:

- Romildo, fecha um dos olhos pra eu fazer um teste.

Sabem o que Romildo fez? Ele meteu a mão na orelha e tampou um dos ouvidos!!! Sério!!! Ele não sabia mais o que era orelha e o que era olho meu amigo... Pense no nível etílico desse coitado...

Logo depois disso Romildo começou a ficar triste. Comçou a bater aquela depressão. Acho que ele começou a pensar que semana que vem ia estar se casando com Flávia e não dava mais para desistir. Ele sentou numa cadeira e ficou de cabeça baixa.



Daqui a pouco ele resolveu ir pro banheiro e por lá ficou. Todo mundo sabe que quem aluga o banheiro quando está bêbado é Rafael. Pois é. ERA! Romildo aprendeu direitinho o procedimento... Depois de meia hora trancado no banheiro eu resolvi verificar o estado do rapaz.

Cheguei no banheiro e procurei por Romildo. Nada. Sai gritando e chamando por ele. Daqui a pouco abre uma porta. Lá estava Romildo sentado no vaso, com as mãos apoiadas nos joelhos e dizendo:

- To muito mal.

E eu:

- Rapaz... Vamo embora. Você sai e Flávia leva você pra casa. Você agora só fica bom amanhã!! Não tem jeito.

E ele:

- Me deixa aqui mais meia hora. Na moral. Sério mesmo.

E eu deixei.

Enquanto isso a putaria tava comendo no centro do lado de fora. Quando eu me dei conta tava Flávia vestida de noiva no meio do Café Cancun. Que porra era essa???

Daqui a pouco eu vi o padre e o anãozinho Robinho vestido de noivo também. O anão subiu no colo dela e meteu tequila pra dentro. Sacudiu a cabeça, apitou, fez aquela putaria...





Daqui a pouco chega o tequileiro vestido de noivo também. Senta no colo dela, esfrega daqui, esfrega dali. Era mão naquilo e era aquilo na mão. E eu pensando no pobre do Romildo sentado dentro daquele banheiro fedido.

O cara meteu mais tequila pra dentro e sacudiu Flávia. E a infeliz lá... Nem pra pensar no pobre do futuro marido.



Depois da baixaria apagaram a luz da boite e lá estava o tequileiro em cima de não sei o quê com umas cachaças pegando fogo. Quem ele chamou pra dar o drink? Flávia! E meteu aquele negócio pegando fogo na garganta dela. E ela lá... na boa. Tomando todas...

De 15 em 15 minutos eu ia ver Romildo. Gritava, ele abria a porta e me pedia mais meia hora. E por ai vai... E eu dizendo que era pra ele sentar lá for e tal e ele não queria. Aí Rafael, do alto de toda a sua experiência disse pra mim:

- Rapaz... o banheiro é o melhor lugar! É o melhor lugar que tem quando o cara tá assim. Deixa ele aí mais um pouco.

Hehehe! Agora eu entendo porque ele sempre se tranca nos banheiros de escuna, bar, casa de amigo e tal... Tá certo...

Nesse intermedio eu vejo Flávia tomando uma Smirnoff Ice pra rebater. Ela já era pra estar torta fazendo companhia a Romildo no banheiro mas não... Tava lá firme e forte. Eu perguntei a ela porque tava tomando o Smirnoff Ice. Ela respondeu:

- Eu to com sede e tenho que completar a consumação.

Gente cachaçeira é outra coisa. Quando fica com cede bebe é Smirnoff Ice! E nem se abala depois de 10 tequilas. Tá certo também!

Nessa momento Romildo já tinha mais de uma hora e meia (!) sentado no vaso do banheiro. Fui tentar mais uma vez tirar ele de lá. Nessa última vez teve uma confusãozinha entre Rafael e o segurança da boite. Nada fora do normal de Rafael. Depois da confusão vi que Romildo estava em pé. Na certa com medo de tomar um chute na cara. Aproveitei e puxei ele pelo braço e falei que Flávia tava chamando. Ele só pediu uma coisa:

- Na moral me dá uma ajuda aí. É sério mesmo!

Lá fui eu carregando Romildo pelo braço. Ele chegou e foi logo indo embora. Não aguentava nem ficar em pé... E Flávia lá, inteira. Bebeu feito um gambá e tava lá dando lição a Romildo. Acho q fígado dela é Total Flex!

Lá pelas 3 ou 4 da manhã chamei Rafael pra comer uma esfirra no Habib´s. Esse era outra comédia. Tava beeebo bebo...

Chegamos no Habib's e não sei como foi a conversa que estava rolando era o que era lavanderia. Eu dizia que era a pia em si, além da área e Léa dizia que nunca soube que o "tanque" era chamado de lavanderia. Conversa vai conversa vem a gente olha pra Rafael. Ele estava com cara de besta olhando pro nada com a língua pra fora. Uma cena ridícula.



 

A gente resolveu perguntar a Rafael o que ele achava e ele respondeu vagarosamente:

- Eu acho que lavanderia é algo mais "possional".

Depois dessa meu amigo eu resolvi ir pra casa porque a noite já tava virando dia... 



Momento Cultural

Motivado pela série de acontecimentos dessa festa etílica eu resolvi compartilhar com vocês esse excelente reggae do poeta Renato Fechine. O nome da música é Bebe Negão. Nada mais apropriado...

February 08, 09:48 PM

Eu sou um cara alérgico. Meu nariz sempre me incomodou, não posso passar perto de mofo, cheiro de tinta e essas coisas... Lembro que uma vez que fiz um teste de potencial alérgico (nome interessante) num médico que o negócio lá disse que eu tinha alergia a 90 e tantos porcento dos negocinhos mais comuns que dão alergia no povo. Um prodígio!

Pois bem. Mas o papo aqui não tem muito a ver com alergia de verdade. Aliás. Mais ou menos.

Desde criança que eu não posso comer abacaxi. Pra dizer a verdade eu nem sei o gosto que o abacaxi tem. Quando eu era pequeno eu comi um abacaxi e lembro que fiquei todo empolado. Desse dia em diante nada de abacaxi.

Até quando tem aquela saladinha com cubinhos mínimos de abacaxi eu sinto a garganta toda conçando. Mas enfim...

O que aconteceu uma vez foi o seguinte. Eu estava na casa de minha avó e ela fez suco de abacaxi. Quando ela me ofereceu eu disse que tinha alergia e não podia comer. Ela fez uma cara de dó e me ofereceu outros sucos:

- Você não quer suco de acerola então não?

Aí eu, besta, disse a minha vó:

- Não vó. Eu não gosto de acerola não...

Pra que eu fui falar aquilo? Pronto... foi o suficiente pra minha vó encher um copo com meio litro de suco de acerola pra eu tomar... E ainda completou:

- E tome tudo que tem muita vitamina C e é bom que não pega gripe.

Eu mereço. Pois bem. Depois disso eu adotei uma outra tática...

Certa vez eu fui na casa de um colega. Tudo muito chique e tal e eu meio sem jeito de comer lá com a família do cara toda por lá... Aquela sensação de peixe fora d'água. Eu lembro que tinha um prato bonito, com uma cara boa, mas era beringela com num sei que lá. Eu, lógico, só me esquivando da beringela.

De repente a mãe do cara:

- Pega um pouco da beringela ao molho num sei o quê, Flavio.

Quando eu ouvi meu nome na mesma frase que "beringela" chega me deu um frio na barriga. Eu me vi comendo aquela porcaria daquela beringela por educação. Como eu tinha acabado de passar por aquela experiência traumática com minha vó vocês sabem o que eu respondi?

- Não Dona Mãe de Meu Colega. É que eu tenho uma alergia terrível a beringela. Desde pequeno que eu não como nem um pedaço de beringela. Me empolo todo.

Aí o que aconteceu...

- Ô meu filho. Que pena. Eu vou pedir pra Maria fazer um filé pra você. Mariaaaaaaaaaaaa...

Da beringela ao filé amigo. Simples assim! Santa alergia!

Depois desse dia eu tenho alergia a tudo que eu não gosto! Tudo! É a melhor tática de todas. Quando eu não gosto de algo e não quero passar pela ladainha de insistir que não quero, achar justificativas e tal eu mando:

- Não, obrigado. É que eu tenho alergia!



Momento Por Onde Anda

Essa semana eu tive uma surpresa agradável. Encontrei Livia por acaso na porta do prédio. Ela que nunca mais deu as caras e que nem escreve mais email com os seus oiiiiiiiiiiiii's pra turma e tal.

Ela estava passeando ali pela Sabino Silva de manhã. Acho que estava na praia a julgar pelos trajes diminutos.

Ela estava com um aspecto estranho. O cabelo um pouco bagunçado. Talvez por causa da praia. Vai saber.

Achei ela estranha comigo. Mal falou um oi. E o mais estranho foi quando ela foi embora. Estava com a parte de baixo do "biquini" fazendo fio dental. Pena que não consegui a foto de costas...

Taí ela na foto... Mandou um beijo pra galera.



Beijinho Lívia
February 08, 09:48 PM

Eu costumo dizer pros meus amigos que determinadas coisas que existem no mundo quem fez nunca usou. Eu explico porquê.

Tem certas coisas que você tem certeza que foram feitas erradas e o infeliz que fez ou que teve a ideia e projetou nunca se deu ao trabalho de usar pra ver se prestava.

É aquela cadeira que te empurra pra frente. O marceneiro, infeliz, nem se deu ao trabalho de sentar pra testar.

É o infeliz do projetista do Palio que não se deu conta de que o extintor de incendio na frente do banco do motorista volta e meia arranca o tampo do calcanhar de alguem.

É aquela mesa no restaurante que o pé da mesa fica no meio das suas pernas. O infeliz do garçon que arrumou nunca sentou numa mesa daquelas.

E por aí vai. Todo mundo, um dia, parou  e pensou: quem fez essa porcaria nunca se deu ao trabalho de usar! - Não é verdade?

Pois bem. E pra inaugurar esse Momento Quem Fez Nunca Usou vou começar com o banheiro da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia.

O banheiro é muito bonito e tal. Todo limpinho, tudo de primeira. Todo de granito. Aí é que está o problema. O chão do banheiro é todo de granito. Aquele bem preto, que parece um espelho e que reflete tudo, saca?

Taí a foto que não me deixa mentir...



Então... Certa vez eu estava sentado ao vaso do banheiro. Analisando a teoria da relatividade de Einstein. Pensando na atual crise do governo. Na situação do Flamengo no campeonato brasileiro. Enfim... Tudo aquilo que a gente pensa quando se está... como poderei dizer... você sabe.

Pois bem... De repente entra um cara no banheiro do lado. Foi aí que eu percebi que a porra do chão refletia tudo! Eu via o cidadão do lado... E o pior é que ele me via também. Lógico.

E eu lá, de calça arriada, pensando em como a teoria da relatividade mudou o mundo.

Uma situaçãozinha desagradável... Você "pensando" de cá e o cidadão "pensando" de lá e um espelho no chão...

Sabe o que eu fiz? Eu catei um monte de papel higiênico e joguei no chão. Joguei tanto papel higiênico no chão que não dava mais pra ver nada de granito. Ficou um tapete de papel higiênico. Pronto! Cada qual no seu cada qual agora! Menos mal...

Depois disso eu fiquei mais relaxado. Terminei o meu "pensamento" e nunca mais voltei a "pensar" no banheiro da Secretaria...

E você também sabe de algo que quem fez nunca usou?



Momento Por Onde Anda

Outro Momento aqui do Blog onde eu vou tentar trazer algum dado novo sobre os nossos amigos que sumiram do mapa, que não dão mais as caras, que não participam dos encontros e tal...

Hoje eu vou começar com nosso colega Agrinei! Cidadão de nome inconfundível que foi visto pela última vez caminhando pelas ruas do Itaigara. Consegui essa foto para relembrarmos dele...



Grande abraço Googol!
February 08, 09:50 PM

Andar de ônibus em Salvador é uma merda. O trajeto que eu faria em 5 minutos faço em 30 e ainda tenho que andar mais 500 metros pra chegar onde eu quero. Sem contar que tem que esperar o ônibus chegar, dar sorte do motorista parar no ponto e por aí vai.

Mas problema mesmo é ficar adivinhando em qual ponto eu tenho que ir pra pegar o ônibus que passa onde eu quero.

Na Inglaterra que era tudo muito chato! Sem graça! Você chega num ponto de ônibus e tem vários cartazes das empresas dizendo que ônibus passa, qual o trajeto que ele faz com mapinha e tudo e ainda que horas ele passa. E o infeliz do ônibus não atrasa! Qual a emoção nisso?

Aqui não. Aqui é só emoção... Você sabe de onde sai e não sabe onde chega meu amigo...

Primeiro que você chega no ponto de ônibus e não tem qualquer informação. Aí você pergunta a uma outra pessoa que está no ponto. Aí ela te diz qual o ônibus que ela ACHA que é o certo pra você. Se você estiver satisfeito com isso fica na sua esperando o tal ônibus. Se quiser perguntar a uma outra pessoa você tem 90% de chance dessa pessoa te dar uma informação completamente diferente. Na verdade, na maioria das vezes, se você perguntar a mesma coisa a 10 pessoas num ponto de ônibus você vai receber 10 informações diferentes. Maravilha...

E quando o ponto de ônibus é como o Terminal da França? Pra quem não sabe o Terminal da França tem 1Km de pontos de ônibus. E em cada abrigo daqueles passa um ônibus diferente que vai pra um lugar diferente. Você tem umas 20 opções pra escolher! E NENHUM INFELIZ PRA DAR INFORMAÇÃO!

Aí você pergunta a 10 pessoas onde passa o ônibus que passa em Ondina e as 10 pessoas mostram um ponto diferente. Aí fica você que nem uma barata tonta subindo e descendo o Terminal da França. Nego pensa até que você tá fazendo cooper em pleno Comércio.

Aí você finalmente vê um ônibus com o nome Ondina bem grande na frente. Ele, claro, não vai parar no ponto que você está porque você recebeu a informação errada. Depois de correr 200 metros você chega no ponto junto com o ônibus e o infeliz passa direto por que estava cheio. Emoção é isso! Mané Inglaterra...

Mas nem tudo é miséria... Tem sempre um caso engraçado que acontece nesses passeios onibulescos...

Esses dias eu usei toda a minha habilidade paparazzi adquirida em minhas andanças por igrejas européias que não podiam ser fotografadas. De tanto tirar foto proibida eu acabei por desenvolver um método excelente para tirar esse tipo de foto.

A primeira vítima foi uma mulher que tava sentada na minha frente com o seu filho chato. O guri tinha problema, ou, no mínimo, uma formiga saúva futucando o fueiro dele. Não parava quieto o infeliz! E a mãe, ao invés de sentar a mão na cara do guri ficava dando uma de Freud e tentava conversar com o guri... Faça-me o favor. Mas tudo bem... A minha surpresa mesmo foi quando essa mulher levantou pra descer do ônibus. O que ví foi assustador. PENSE NUMA BUNDA GIGANTE!!! Algo descomunal, surpreendente. Eu não contei conversa. Peguei o celular e mandei a foto. Pena que com a foto você não tem a real idéia de quão grande era a bunda daquela coitada. Compare a bunda dela com a cabeça da mulher do lado. Dá pra perceber que a bunda dela era maior que 4 cabeças daquela senhora juntas! A mulher praticamente andava com um puff na bunda! E vou mais longe. A mulher praticamente tinha uma Djenane grudada na bunda!!! Que visão horrível!

 

Mas o fato mais recorrente são as doidinhas. Parece que toda doida que eu encontro na rua gosta de mim. Se bem que pra gostar de mim não deve ser muito certa mesmo. Léa que o diga.

Mas então. Lá estava eu sentado no ponto de ônibus esperando calmamente o meu ônibus. Daqui a pouco vem chegando uma doidinha. Vinha ela cheia de charme olhando pra mim. Eu, que estava sentado na pontinha do banco, fingi que não vi. Ela vem chegando com sua blusinha regata listrada, toda charmosa e vai sentando quase em meu colo! Foi a bunda esquerda na minha perna e a direita no banco.

Vejam a cara da figura...

 
 

Eu resisti a tentação, pensei em Léa imediatamente, e resolvi sair debaixo da mulher e ir pra outra ponta do banco. Ligeiro!

Daqui a pouco ela vira pra mim e balbucia algo impossível de entender. Eu faço uma cara de quem não entendeu PN e ela repete no mesmo dialeto africano.

Como dessa vez ela resolveu apontar para o meu relógio eu percebi que ela queria saber as horas. Eu respondi e mantive a distância.

Ela acendeu um cigarro. Cantou umas duas músicas, no mesmo idioma, e seguiu o caminho dela, com o mesmo charme que chegou.

Quando eu finalmente peguei o ônibus vi a cidadã mais a frente sentada ao lado de um despacho de macumba com a boca toda suja de farofa... Reconheci que não ceder às investidas dela foi o mais correto...

Mas se tivesse acabado aí tava ótimo. Outro dia eu estava saindo da SEFAZ pra ir pro ponto de ônibus. Daí eu vejo outra maluca vindo em minha direção com um suco de laranja na mão.

Quando ela chega bem perto ela fala: Oi moço, boa tarde - Educada ela! E foi emendando - eu já tô com um suco o senhor podia colocar uma coxinha pra mim?

Eu disse a ela que não podia e segui pro ponto. E ela foi ficando por ali, conversando com um e com outro.

Daqui a pouco ela chega pra mulher do lanche pra queixar um pão. Sempre com a mesma educação:

- Oi minha tia, boa tarde, a senhora não podia me botar um pão desse pra mim não?

A tia do lanche resolveu então dar um pão francês dormido pra infeliz. Depois disso ela virou pra mim pra reclamar por que eu não tinha dado o pão pra ela:

- Ta vendo minha tia. Ele não quis me dar a coxinha... (E aí veio a hora que eu fiquei mais tentado!)... a senhora me deu esse pão.

Daí ela olha pra mim de com um olhar apaixonado e diz:

- Mas obrigada assim mesmo... meu pãozinho!!!

E manda um beijo estalado pra mim! Nessa hora eu quase esqueço Léa e caio pra dentro da morena mas o bom senso me fez recuar.

Eu queria registrar o momento pra mostrar a vocês a minha paquerinha mas ela era tímida e não se deixou fotografar. E não foi por falta de pedido. Eu falei varias vezes pra ela:

- Vem cá minha gatinha pra eu tirar uma foto sua. Vem minha linda!

E ela nada. Se fazendo de difícil.

De qualquer forma eu consegui tirar essa foto dela de longe. Vejam que tentação.



Do jeito que vai a coisa essas minhas andanças de ônibus vão render alguns posts aqui no blog...

Posts

Photos

Favorites

abcdefghijklmnopqrstuvwxyz abcdefghijklmnopqrstuvwxyz